Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

19 de setembro de 2017

Os livros e as cidades

Galeno Amorim

Gazeta de Ribeirão - 28/10/2007

Os livros estão mais presentes do que se imagina na vida das cidades. Ou pelo menos deveriam estar. É impressionante o número de municípios que estão abrindo, cada vez mais, suas portas para as feiras de livros, festivais de literatura e políticas públicas para estimular as pessoas a ler mais.

Por toda parte surgem bons exemplos de prefeituras que abrem bibliotecas, ampliam os espaços para os livros em escolas e na comunidade e incluem dotações – ainda que tímidas – para financiar essas políticas em seus orçamentos e contratam bibliotecários e educadores para ajudar a fomentar o saudável hábito de ler entre as crianças e adultos.

O que foi, por muito tempo, só uma preocupação de professores e entusiasmados militantes da causa da leitura começa, enfim, se tornar uma questão pública. Primeiro, foram os especialistas. Depois, empresários e outros formadores de opinião. Agora, é a vez de autoridades e dirigentes políticos perceberem que os livros têm uma função social e estratégica na sociedade. E que podem fazer um bem que nem imaginavam para suas cidades e estados e para seus próprios governos.

Percebe-se, cada vez mais, que de há muito os livros já não são um mero objeto sagrado de poucos. Ou uma fonte só de prazer e lazer para outros. Descobre-se, finalmente, que a leitura é o meio eficaz para o desenvolvimento pessoal e profissional do indivíduo e, ainda, para ampliar sua visão de mundo e suas possibilidades de intervenção no lugar em que vive. E, com isso, exercitar sua cidadania e mesmo melhorar seu emprego e renda. Dessa forma, passou a ter um novo e importante papel na educação, algo que nunca foi tão claro na cabeça das pessoas.

E o que tem a ver isso tudo com as cidades? Na verdade, tem tudo a ver – tanto com o presente como, principalmente, com o projeto de futuro das cidades. Se houve um tempo em que, na economia primitiva, a água e, mais tarde, o petróleo, na era da industrialização, possuíam importância estratégica para as nações, agora quem faz toda a diferença é o conhecimento. Que se forma, por sua vez, com as várias leituras: dos livros, jornais e das diferentes estéticas culturais, com o tempero e fermento das vivências e experiências do cotidiano.

Não é raro ver, hoje, empresas que buscam, para se instalar, lugares com um povo de boa escolaridade, formação e capacidade para aprender permanentemente. Dirigentes e lideranças que não perceberem isso estarão condenando suas comunidades ao atraso e a perderem o rumo da história. São boas as chances, nesse caso, de se tornarem as novas cidades mortas, como foram batizadas, no século passado, por Monteiro Lobato aquelas do Vale do Paraíba que não perceberam que estava em curso o fim de um ciclo econômico e o início de outro.

Este é um dado para o qual vale a pena se atentar quando se comemora, neste 29 de outubro, o Dia Nacional do Livro. Os livros podem fazer a diferença!

Galeno Amorim é ex-presidente do Comitê Executivo do Centro de Fomento ao Livro na América Latina e Caribe (Cerlalc/Unesco) e dirige o Instituto de Desenvolvimento de Estudos Avançados do Livro e Leitura

Mais Artigos

Todas as notícias sobre "Artigos"

Receba por e-mail


Cadastre-se!

Livrômetro

Relógio da leitura no Brasil

563.760.000

Livros lidos em 261 dias de 2017 no país