Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

16 de outubro de 2018

Leitura, uma paixão incurável

Benedicto Camargo Dutra

Quando eu era estudante, na Escola Álvarez Penteado, havia um professor que se autodenominava “rato de bibliotecas” porque tinha o hábito de visitá-las para examinar quantos livros conseguisse. Aquele era um tempo em que os jovens buscavam as bibliotecas para ler, estudar, pesquisar e até “paquerar”. A biblioteca municipal, na Praça Dom José Gaspar (na capital paulista), era a preferida. Aos sábados e domingos, o local ficava lotado de estudantes que para lá se dirigiam em busca de informações, conhecimentos e para enriquecer os trabalhos escolares. Foi nessa época que se consolidou a minha paixão pelos livros. Mas desde criança eu já tinha o gosto pela leitura. 

Nos livros, eu buscava respostas para compreender os mistérios da vida. Minha mente sempre indagava os “por quês”. Por que tantos conflitos? Por que tanta miséria e violência? Qual o significado da vida? Aonde tudo principiou? Por quê? Quando? Assim, me tornei um freqüentador de bibliotecas: a do bairro, a da escola, a municipal. Dentro delas sempre havia um silêncio, um respeito ao livro e ao leitor. Tratava-se de uma geração que buscava o saber.

Nos corredores e estantes, eu procurava pelos livros que explicassem a vida e o seu significado. Eu não entendia porque os seres humanos preferiam viver às turras do que buscar uma convivência pacifica que trouxesse um benefício geral. Assim, fui passando por muitos e variados livros, sobre história, filosofia, economia, religiões e outros temas.

Hoje, esse quadro mudou muito. Embora existam muitos jovens responsáveis, que se dedicam à leitura, uma grande massa não aprendeu a ler corretamente e ainda não adquiriu o gosto pela leitura.

Atualmente, no mundo desenvolvido, as escolas estimulam a competitividade entre os alunos, sobrecarregando-os com inúmeros exercícios de pouca utilidade prática, que exercem forte pressão para o desenvolvimento do cérebro em detrimento da parte interior do ser humano. Já, nos países menos desenvolvidos, a escola não consegue dar uma formação básica mínima. No Brasil, cerca de 50 % da população não tem suficiente preparo para apreciar a leitura de um livro.

O mais importante de tudo seria habilitar os estudantes, desde cedo, a se familiarizarem com a atividade da leitura, pois quem cultiva esse hábito terá capacidade de, a qualquer tempo, se tornar um autodidata, buscando o conhecimento nas áreas de sua preferência. Ademais, a leitura propicia a movimentação da inteligência emocional - o eu interior - que dá ao ser humano a sua característica individualizada pois, sem isso, todos se transformarão em produto de massa e não terão contribuições criativas para o bem estar geral da comunidade onde vivem.

Então, a proposta é que se crie, dentro dos currículos escolares, uma matéria dedicada à leitura que atinja desde a pré-escola até os níveis mais graduados. O orientador acompanha a leitura, junto com os estudantes, fazendo pausas para reflexões. Isso, certamente, irá auxiliá-los a entender melhor o que lêem na Internet.

No meu tempo de estudante, alguns colegas perceberam que eu tinha um jeito especial de fazer as redações que eram determinadas pelos professores de português. Eu gostava de fazer anotações sobre os fatos que observava e vivenciava. Vendo essa minha vocação, meu pai me deu de presente uma máquina de escrever. Um amigo recomendou que eu não deixasse de fazer as anotações. Uma outra pessoa amiga falou que eu trazia experiências de outras vidas para escrever e que eu deveria prestar mais atenção a isso. Contudo, ser escritor, como toda atividade artística, de um modo geral, não propicia as necessárias condições para o sustento próprio e da família. Por isso, escrever se tornou uma atividade acessória.

Na literatura, as façanhas do Gerente Minuto, de Ken Blanchard, me inspiraram a criar o Homem Sábio. Enquanto o Gerente Minuto dá orientações sobre o ambiente empresarial, o Homem Sábio veio para conversar com o jovem sobre a vida. Assim surgiu o livro “Encontro com o Homem Sábio”. Alguns leitores me disseram que parecia que estavam lendo a história de suas próprias vidas.

Contudo, eu não estava satisfeito. Eu queria oferecer aos jovens de todas as idades algo mais concreto sobre a trajetória espiritual do ser humano. Então tentei reunir tudo que havia lido e pesquisado até então, num conjunto compacto e coerente, no título “A Trajetória do Ser Humano na Terra”. Acredito que desde longa data os seres humanos se afastaram da vida real, esquecendo-se de que cada resolução individual traça-lhes a trajetória que terão de percorrer na Criação. Escrevi este livro especialmente para aqueles que buscam respostas sobre o sentido da existência, apontando caminhos que cada um almeja e que, individualmente, deverá alcançar através do próprio esforço. Disse um leitor que o livro mostra tudo o que o ser humano deve saber, mas eu o considero apenas um indicativo para que as pessoas prossigam sua jornada em busca do conhecimento, do significado da vida, da verdade e da felicidade. É um ponto de partida para a compreensão do sentido da vida, pois somente através do saber, poderemos nos transformar em seres humanos de elevada qualidade, produzindo um mundo de paz.

*Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, conferencista e escreve artigos para jornais de São Paulo. É um dos coordenadores do www.library.com.br, site sem fins lucrativos, e autor dos livros  Encontro com o Homem Sábio , Reencontro com o Homem Sábio,  A trajetória do ser humano na Terra  e  Nola – o manuscrito que abalou o mundo, editados pela Editora Nobel com o selo Marco Zero.

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