Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

20 de novembro de 2017

Juca Ferreira e o papel dos equipamentos culturais

20/5/2009

Discurso do ministro da Cultura, Juca Ferreira, na inauguração da exposição dos Programas Mais Cultura e Cultura Viva, na Câmara dos Deputados.

BRASÍLIA, 20 DE MAIO DE 2009.

Boa tarde a todos, meus cumprimentos:

•    Ao Presidente da Frente Parlamentar da Leitura, deputado Marcelo Almeida;

•    À Presidenta da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, deputada Maria do Rosário;

•    E ao Presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Cultura, deputado José Fernando Aparecido de Oliveira;

•    Aos colegas do Ministério da Cultura, que cumprimento através da Secretária de Articulação Institucional do MinC e coordenadora executiva do Mais Cultura, Silvana Meireles;

•    E do Secretário de Cidadania Cultural, Célio Turino, dentre outras autoridades.

•    E o nosso agradecimento ao Ponto de Cultura Menino de Ceilândia, que veio hoje abrir essa exposição, uma prova viva quanto os Pontos de Cultura podem ser transformadores, ao terem na arte a na cultura uma resposta de cidadania frente aos imensos desafios que hoje enfrenta o país.

São meninos como os que hoje aqui se apresentaram o maior testemunho do quanto o Brasil se impõe por sua gente, por sua criatividade ao buscar soluções para os próprios problemas e para o país. A consequência de uma história fundada na injustiça social – com resíduos de uma colonização escravocrata e fortes distorções socioeconômicas – reflete o noticiário alimentado pela violência, mas ainda assim não anula as respostas de cidadania, cultura e beleza de brasileiros que fazem da sobrevivência sua arte maior.

Por isso, criamos o Programa Cultura Viva, e por isso, diversificamos e demos escala à sua ação quando criamos o Programa Mais Cultura, há dois anos. Posso dizer com segurança que os Pontos de Cultura são uma das experiências mais bem-sucedidas do Governo Lula, não só por sua vocação libertária ao colocar a cultura como instrumento de transformação social, mas também por sua natureza generosa de acolher as milhares de manifestações culturais existentes no país e apoiá-las, potencializando suas atividades, suas produções e seu impacto em comunidades de todo Brasil.

Estamos falando de pessoas que moram na zona rural, na periferia dos grandes centros, em cidades do interior, em comunidades quilombolas, ribeirinhas, de pescadores. Estamos falando dos Brasis em anonimato que hoje fazem uma verdadeira revolução, no bom sentido, ao mostrarem que podem ser parte da história do país.

Por serem espaços em permanente efervescência, criação e reflexão, os Pontos de Cultura acabam cumprindo funções indispensáveis para o desenvolvimento brasileiro, não só na formação cultural, mas também no fortalecimento da cidadania. Não há dúvidas de que indivíduos mais aptos a criar do que a assimilar, a agir do que a reagir, a compreender do que a entender, são indivíduos também mais aptos a participar de forma mais efetiva e consciente na história de nossa república, de nosso projeto democrático de nação. Equipamentos por si só podem ser instrumentos da cultura de massa ou instrumentos de cultura da massa. Cabe, portanto, ao Estado Brasileiro zelar para que os cidadãos sejam, de um lado, produtores mais ativos da cultura que criam e, de outro, receptores mais críticos da cultura que assimilam.

E os Pontos de Cultura partem desse princípio.

Mas hoje é com imenso prazer que o programa Mais Cultura não só ampliou a ação, mas lhe deu novos irmãos: os Pontos de Leitura, que unem atividades culturais e artísticas à prática da leitura; os Pontinhos de Cultura, criados especificamente para atender ao público infanto-juvenil; os Pontos de Memória, que partem da história e identidade dos cidadãos para fortalecer e preservar a memória social e coletiva de comunidades e, também, os Cines Mais Cultura, onde pessoas dos vários cantos do país passam a ter espaços gratuitos de exibição de filmes. Portanto, os resultados são animadores, hoje já temos mais de 3.000 iniciativas financiadas em todo o Brasil, com investimentos de R$ 180 milhões.

São experiências como essas que nos levam a refletir melhor sobre o papel dos equipamentos culturais. O cinema, por exemplo, tem papel apenas como elo de cadeia industrial ou como fonte de conhecimento e experiência estética e simbólica? E as bibliotecas? Vêm proporcionar acesso aos livros ou também estimular a reflexão crítica, a leitura enquanto vivência cultural e a prática de escrever? E os museus? Têm que se limitar à narrativa linear e impessoal da história ou se consolidar como espaços vivos que dialogam passado e futuro, relativizando diferentes interpretações e visões de mundo?

São perguntas que devemos nos fazer para atender a complexidade dos desafios do país. E pensamos que o Estado Brasileiro deve estar atento a todas essas dimensões criando políticas que não se excluem, mas que se completam. De um lado, fortalecendo e ampliando os equipamentos culturais, que são vitais para o desenvolvimento cultural brasileiro, mas, de outro, também atuando para o desenvolvimento de expressão do povo brasileiro, que vai muito além do que deleite artístico e também se constitui como força de vida e expressão, como um verdadeiro estímulo à cidadania e às identidades culturais que nos fazem mais Brasil.

Ao apostar na cultura como direito de expressão, exercício de cidadania, forma de realização humana e meio de transformação, o Estado Brasileiro também aposta na formação da ética pela estética, na superação da adversidade pela força da diversidade, na transformação do humano em humanidade, na reinvenção da vida por seu lado mais vivo e verdadeiro. Viver é muito mais do que sobreviver e é pela cultura viva que se faz a vida.

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