Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

20 de novembro de 2017

Lula: Os livros vão mudar a cabeça de todos vocês

22/10/2008

Em discurso, durante a cerimônia de formatura de 40 mil jovens e adultos, dos cursos de alfabetização do Projeto Sesi - Por um Brasil Alfabetizado, em 22/10/2005, no Rio de Janeiro, o presidente Lula reforçou o valor do livro e da leitura na vida de cada pessoa: "Certamente o livro pode não mudar o mundo, mas o livro vai mudar a cabeça de todos vocês. A leitura vai dar a vocês uma visão de mundo que, até ontem, vocês não tinham".

Leia a íntegra:

Discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a cerimônia de formatura de alunos do “Projeto Sesi – Por um Brasil Alfabetizado”

Rio de Janeiro - RJ, 22 de outubro de 2005

Eu quero, primeiro, cumprimentar o meu querido companheiro, Fernando Haddad, ministro da Educação, 
Quero cumprimentar o Eduardo Eugênio Gouveia Vieira, presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, e a sua esposa, Cristina Gouveia Vieira,
Quero cumprimentar minha companheira Marisa,
Quero cumprimentar o Jair Meneghelli, presidente do Sesi,
Quero cumprimentar os deputados Jorge Bittar, Antônio Carlos Biscaia e Luiz Sérgio,
Quero cumprimentar os prefeitos Godofredo Pinto, de Niterói, doutora Saudade, de Nova Friburgo, Lourenço e Carline, de Carapebus, William Cardoso, de Cambuci, e Alfredo José, de Quatis,
Meus queridos companheiros estudantes do Programa do Sesi, da Firjan e do MEC,
Meus caros formandos Antônio Rodrigues Neto, José Tomás de Oliveira, Jorge Alves Felipe, Maria Célia Pereira de Souza, Maria das Dores Santos Silva, Antoildo de Oliveira Silva,
Alunas e alunos do projeto Sesi – Por um Brasil Alfabetizado,
Meus amigos e minhas amigas,


Eu quero ser muito rápido porque já são doze horas e trinta minutos, tem pessoas que estão passando mal com o calor, também somos filhos de Deus, todo mundo também quer almoçar e, daqui a pouco, vai ter um show da Alcione.
 Mas eu queria dizer umas coisas, meu querido Eduardo e meu querido Meneghelli, meu querido Fernando Haddad. Esta semana é a semana dos professores, é a semana que homenageia os professores brasileiros, normalmente uma categoria que merece o respeito, não apenas das crianças que estudam, mas merece o respeito dos pais das crianças porque, muitas vezes, conseguem passar mais horas com os nossos filhos do que nós mesmos e, muitas vezes, são obrigados a dar, na escola, a educação que, muitas vezes, não temos competência para dar dentro de casa. Eu queria uma salva de palmas para os professores brasileiros e, dentre os professores brasileiros, há os professores que trabalham neste Projeto.

A segunda coisa, eu estou vendo o pessoal de verde lá atrás, em maioria, em maior quantidade, estou vendo o pessoal de amarelo, aqui, em menor quantidade, ainda não temos o azul e ainda não temos o branco, mas, se Deus quiser, eu estarei vivo para, no ano que vem, voltar aqui e ver a bandeira nacional ganhar mais uma cor, com a cor azul. E, se Deus quiser, o ano que vem também estarei vivo para voltar aqui e já ver o branco, e completar a bandeira nacional com o verde, amarelo, azul e branco. E, se Deus quiser, vocês vão escolher uma outra cor, para que a gente possa voltar aqui e já ver os nossos alfabetizandos entrando na universidade brasileira.

Esse é um desejo que nós precisamos cumprir porque, sem educação, nenhum país do mundo e nenhum lugar do mundo conseguiu se desenvolver, conseguiu progredir, e o povo conseguiu se transformar ou transformar a sua vida e a vida da Nação. Meneghelli e Eduardo, se nós pegássemos o maior ateu do mundo, aquela pessoa que não crê em nada, e o trouxéssemos aqui para ele ver, de cima, este espetáculo de brasileiros e brasileiras que, não apenas acreditam em Deus, mas acreditam na sua própria capacidade de transformação, certamente esse ateu iria sair daqui dizendo: eu, agora, sou obrigado a acreditar que Deus existe, porque a transformação está à frente dos meus olhos, a transformação está muito próxima de mim. Porque, para chegar onde vocês chegaram, precisa de um ser superior para dar motivação para vocês.
 Muitas vezes, é muito mais fácil a gente ficar em casa sem fazer nada, achando que tudo é difícil. O que vocês fizeram é a demonstração de que não existe nada impossível. A única coisa impossível na face da Terra é Deus pecar. Para nós, seres humanos, o que parece impossível é apenas um pouco mais difícil e vocês estão dando a demonstração de que conseguiram vencer barreiras. Eu estive aqui no ano passado, não tinha ninguém de cor amarela. Hoje já tem cinco mil pessoas. Aumentou o número de verde e, se Deus quiser, não estará longe o dia em que nós não teremos mais gente vestida de camisa verde, porque o Brasil não terá mais analfabetos e nós teremos muita gente, não vestida apenas de amarelo, mas vestida de azul, de branco, e gente que possa cursar o ensino superior, que possa aprender uma profissão. 

Eu queria dizer a vocês uma coisa, dar o meu exemplo de vida outra vez. Pelo amor de Deus, vocês deram o primeiro passo, não parem nunca mais. Não parem, continuem estudando, aprendam uma profissão, porque a profissão é a possibilidade de vocês ganharem mais, é a possibilidade de vocês terem mais estabilidade no emprego, é a possibilidade de vocês poderem melhorar a qualidade de vida da família de vocês. O orgulho desta mulher de 94 anos, que não deveria se chamar Maria das Dores, deveria se chamar, como disse o Eduardo, Maria da Esperança... Porque, aos 94 anos, ela está dando uma lição de moral ao Presidente da República e a 186 milhões de brasileiros, dizendo o quê? Ela está dizendo: eu sou brasileira, acredito sempre e não desisto nunca. É isso o que precisa permear a vida de cada um de vocês, não desistir nunca. Vocês vão perceber, com o diploma, que vai ficar mais fácil arrumar emprego; vocês vão perceber, com a profissão, que vai ficar mais fácil arrumar emprego; vocês vão perceber que vão ganhar mais do que o salário mínimo. E é para isso que este Programa acontece.

Já houve outros Programas que tentavam alfabetizar em oito semanas, em dois meses, dois meses e meio. Nós não queremos que a pessoa aprenda apenas a escrever o seu nome, a desenhar o seu nome. Nós queremos que as pessoas aprendam, como a dona Maria das Dores, que veio aqui e leu a sua carta. E, da mesma forma que ela leu a carta, ela vai ler um livro, vai ler um jornal, vai ler uma revista, ela vai conseguir compreender. Porque, certamente, o livro pode não mudar o mundo, mas o livro vai mudar a cabeça de todos vocês. A leitura vai dar a vocês uma visão de mundo que, até ontem, vocês não tinham.

Meu querido Eduardo, meu querido Meneghelli, meu querido Fernando Haddad, certamente eu já estou compromissado de, no ano que vem, estar aqui de volta. E já estou compromissado para ver todas aquelas pessoas que estão de verde do lado de cá de amarelo, as de amarelo do lado de cá de azul, e outros de verde estarem lá para que a gente possa dizer: finalmente o Brasil criou vergonha e resolveu ensinar a sua gente a aprender a ler, a escrever, independentemente da idade. Porque tem gente que achava que a gente não deveria gastar dinheiro para alfabetizar pessoas de idade. Tem gente que acha que a gente só deveria gastar com a juventude. Lógico que é importante e prioritário gastar com a juventude, mas a dona Maria das Dores é um exemplo de que ser jovem não é a quantidade de anos, é o estado de espírito que ela demonstrou aqui para nós.

Que Deus abençoe todos vocês, que possa fazer a vida de vocês melhor. Que Deus abençoe o Fernando Haddad, o Eduardo e o Meneghelli e, sobretudo, que Deus permita que no ano que vem nós estejamos juntos outra vez.
Até o ano que vem, se Deus quiser.

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