Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

24 de novembro de 2017

Ler para o outro é um ato de amor

Galeno Amorim

É bem mais usual ver pessoas fazendo algum tipo de trabalho voluntário como costureira, numa cozinha ou mesmo como professor de informática ou ajudando no reforço escolar. Tânia Alves Afonso fez diferente: alistou-se como contadora de histórias. Ela achou que estava na hora de juntar seu gosto pela leitura com a prática do bem e da solidariedade que almejava. Foi e se ofereceu para trabalhar com livros, fantasias e pequenos leitores no Grupo de Apoio à Criança com Câncer, o GACC. Toda semana Tânia vai até o Hospital das Clínicas, no campus da USP, e lá se transforma. Em segundos, vira Cinderela, Rapunzel e as mil e uma personagens do mundo de faz-de-conta que só a magia da literatura infantil pode propiciar. O GACC abriga 12 crianças vitimadas pelo câncer que vivem no local, com pai, mãe ou outro responsável, enquanto recebem o tratamento especializado. E atende mais 400 crianças e jovens, que aparecem por lá todo mês. Para alguns, aquele é o lar onde passam boa parte de suas vidas. É o caso de Pedro de Oliveira, um indiozinho da tribo Xacriabá, de São João das Missões, no interior de Minas. Há sete anos ele faz o caminho de mil quilômetros, ao lado do pai, para chegar até ali, com passagens pagas pelo governo. O curumim adora brincar e ficar ouvindo as histórias. Tânia sabe bem disso. Ela descobriu como fazer a sua parte e sente um prazer indescritível fazendo isso. — Este é o único momento em que a criança pode viajar, sair daquele momento de fragilidade e se encantar – ela diz. — De repente, ser a Branca de Neve, ser uma princesa, se casar com um príncipe e até ser feliz para sempre... Ler para si é, sem dúvida, uma atitude de auto-estima e mesmo de cidadania. Ler para os outros é um ato de amor.

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