Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

24 de novembro de 2017

Médicos de livros e de almas

Galeno Amorim

Carlos, Denis, Albino, Darílio... Ao todo, eles são mais de vinte. Durante o dia, se vestem de branco, não desgrudam do estestocópio e alguns atendem em elegantes endereços no que se convencionou chamar de cinturão da saúde na cidade. Vive, cada um deles ao seu modo, o típico dia de um médico: entre o consultório e o hospital, uma agenda repleta de consultas e às voltas com os mais variados tipos de doença. Uma vez por mês deixam tudo isso de lado por alguns instantes para mergulhar de corpo e alma numa outra paixão: os livros. Falam sobre literatura e uma outra coisa que eles têm em comum: a obra própria. Esses médicos gostam de ler e também de escrever. Vários deles têm livros publicados, uns em prosa e outros em verso – alguns caminham para a marca da primeira dezena de obras já impressas. São cirurgiões, ginecologistas, ortopedistas, psiquiatras. Ali, no entanto, são todos eles apenas bons leitores – e escritores, uma decorrência da primeira condição. — Unimos o útil ao agradável – receita o doutor Nelson Jacinto, uma espécie de guru do grupo. Os encontros são sempre na primeira quinta do mês e acontecem numa pizzaria. Lá, lêem seus poemas, falam sobre sua criação – e, naturalmente, como ninguém é de ferro, também bebem chope e beliscam uma massa. Só não se fala sobre trabalho. A cada encontro, redescobrem suas próprias potencialidades. E que lendo e escrevendo, escrevendo e lendo, tornam-se pessoas melhores. E que pessoas melhores costumam, em geral, ser melhores médicos, engenheiros, advogados, jornalistas, arquitetos, empresários... E tudo o que mais vier. Esse é o milagre dos livros.

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