Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

26 de setembro de 2018

Quem investe no livro?

Marisa Moura

Publishnews - 17/11/2010

O escritor é um dos investidores. Ficção, não-ficção, livro para crianças, adolescentes, jovens, mulheres e segue quase ao infinito essa lista das ideias que se tornará uma obra. Para alguns autores bastam uma ideia ou projeto e tudo já se encaminha para processo de editoração. Nas biografias de escritores famosos encontramos casos, que nem várias obras prontas - hoje consideradas clássicas - bastaram para ter sua primeira editora. Nos casos de nossos autores brasileiros, os caminhos são os mais diversos, desde muitos livros pagos pelo escritor, até aqueles que já começaram com adiantamentos altos, planos de propaganda etc.

O mais comum no exterior é o agente literário com um projeto ou uma obra completa, aposta seu tempo, experiência e contatos para vender os direitos de publicação para uma editora que reconheça e desenvolva um bom plano editorial. No processo de venda pode contar com os serviços de coach, tradutor e outros profissionais do mercado editorial. O agente busca a melhor forma de administrar a entrada do autor no mercado e do livro nas livrarias.
 
Mas, o mais desejado, o mais cobiçado e mais questionado ainda é o editor/editora. Baseada em sua experiência de mercado e cultural procura prospectar obras, leitores, possibilidades de venda. Podemos lembrar de vários casos de livros que são sucesso de vendas já na porta da gráfica, outros que, momentos antes de serem considerados encalhe, disparam pedidos das livrarias. Casos mais recentes são títulos que depois de forte divulgação nas redes sociais tornam-se fatos para imprensa e entram para as listas de mais vendidos.
 
Esses pilares se cruzam, se mesclam. O editor pode pedir a um agente que consegue um escritor para fazer um projeto. O autor necessita de seu material organizado em livro, por esta razão, pensa no processo editorial e quem vai administrá-lo. O agente circulando entre eventos, autores e editores acaba descobrindo necessidades de novas obras para o mercado.
 
Outros números importantes, que se cruzam e se definem conforme o conteúdo da obra, são as tiragens dos títulos pressupondo o número de leitores. Algumas obras só necessitam de 1.000 exemplares para atender seu mercado, outras imagina-se 5.000 leitores e acabam chamando 50 mil. Tem livros que se vendem, sempre, nem só mil nem 100 mil, mas todo mês vendem uma quantidade importante para a soma do ano.
 
Essa mistura entre lançar o que as tendências culturais e de comportamento de uma época pedem com uma empresa que pede resultados de vendas geram riscos enormes. De imediato, as contas de produção editorial podem ser não tão significante a ponto de não se correr o risco de publicar. Mas com vários casos de livros, que demoram para ser interessantes a leitores, as contas da editora demonstram resultados de riscos muitos altos em cada escolha.
 
Esses riscos, decorrentes de livros não comprados, levam autores a desistirem de várias ideias, agentes impossibilitados de vender projetos interessantes, editores presos a orçamentos que não possibilitam investir, hoje, em algo que possa ser um clássico de amanhã. Cá entre nós, o verdadeiro investidor do livro é você: leitor!

* Minha formação começou pela graduação em Letras na PUC de São Paulo, onde assumi minha paixão pela literatura, da criação à produção. Senti necessidade de aprofundar-me em marketing cultural para Literatura Brasileira, o que fiz no mestrado da ECA-USP. Com a ideia fixa de trabalhar para Literatura Brasileira, abri a Página da Cultura - www.paginadacultura.com.br - em 1994 e aí não parei mais.

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