Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

19 de setembro de 2017

Comemorar o quê?!

Galeno Amorim

O Globo - 23/04/2011

Neste 23 de abril, aniversário de morte de Miguel de Cervantes,William Shakespeare e um punhado de escritores, comemora-se, pelo mundo afora,o Dia Mundial do Livro. Em alguns locais, como o Brasil, repete-se a velha tradição catalã de homens e mulheres trocarem flores e livros.

Mas no mês consagrado aos livros — em abril também comemora-se o Dia Internacional do Livro Infantojuvenil, o Dia Nacional do Livro Infantil e o de Monteiro Lobato — reaparece uma questão: há, afinal, o que comemorar?! Lembra-se, então, do número de livrarias e bibliotecas ou que ainda não somos um país de leitores.

De fato, ainda estamos longe dos indicadores de leitura dos países desenvolvidos. Sobretudo diante da gigantesca tarefa de erradicar a miséria embusca de uma nação mais próspera e justa. Para tanto, democratizar o conhecimento é urgente e inadiável — e os livros são o caminho natural para isso.

Apesar das dificuldades — os milhões de analfabetos e analfabetos funcionais, o baixo acesso aos livros, inclusive pelo preço —, este é, certamente, o período mais importante da História para a questão da leitura no país. Por significar o início da virada e, enfim, a conversão desse tema em política de Estado.

Depois de anos de boa semeadura — inaugurada no século passado com Lobato e a invenção da indústria do livro no país —, a década passada entra para a História como o início de uma nova era. O pontapé inicial foi a Lei do Livro, de 2003, que serviu de marco regulatório. Em seguida, vieram a desoneração fiscal dos livros, o financiamento para a edição com juros menores e a ampliação dos programas sociais do livro.

Isso ajudou a ampliar os índices de leitura de 1,8 para 4,7 livros por habitante/ano. Foram realizadas grandes campanhas e mobilizações nacionais e foi instituído, finalmente, pelo Ministério da Cultura e o MEC, o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), que já reúne mil projetos e programas de governos e sociedade.

Em 2011, vamos zerar o número de cidades sem bibliotecas — segundo o IBGE, eram 1300 em 2003 — e novas políticas estão saindo do forno, inclusive para fazer o livro chegar à cesta da classe C. E estados e municípios começam a preparar seus próprios planos, o que fará do Brasil uma referência mundial na área.

Por isso, já há o que comemorar!

O Brasil está no rumo certo. Agora, além de assegurar as conquistas, é hora de acelerar e avançar mais. É justamente o que tem sinalizado a presidenta Dilma ao defender, em entrevistas, o papel dos livros na vida das pessoas e na dela própria. É assim se que constrói um país rico e sem pobreza.

Galeno Amorim é presidente da Fundação Biblioteca Nacional.

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