Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

22 de setembro de 2017

Bom para a mente e para o intelecto

Portal Araraquara.com - 27/01/13

Na sociedade, ler significa ampliar o conhecimento e o vocabulário. A professora de Língua Portuguesa do Centro Universitário de Araraquara - Uniara, Julia Gorla, conta que a prática vai muito além. “As pessoas se esquecem de que a leitura nos ajuda a pensar. Saber ler e compreender o que os outros dizem nos difere dos animais irracionais, pois a leitura nos proporciona a capacidade de interpretar o que está além de nossos próprios limites de espaço e cultura”, comenta.

Julia explica que, em geral, “o conhecimento do mundo precede o conhecimento da palavra, mas é pela escrita que se dá a ampliação do reconhecimento do que somos e do que se encontra ao nosso redor: é o uso da ‘palavramundo’, de Paulo Freire, que nos torna completos”.

Julia comenta que, apesar de os jovens estarem lendo mais atualmente, a qualidade da leitura feita, no entanto, diminuiu. “Ao contrário do que muita gente pensa, os mais novos têm lido até mais do que a geração anterior. Há muitos best-sellers que são devorados por eles, como, por exemplo, a saga Crepúsculo e todos os volumes de Harry Potter. Porém, a leitura dos clássicos não faz mais parte da leitura prazerosa e as causas são várias: a escola tradicional não a estimula adequadamente como fator de aquisição de conhecimento, mas sim de obrigação e, às vezes, até de punição”, conta.

“Lembro-me de que em várias situações presenciei crianças que ficavam na biblioteca da escola como castigo por conduta inadequada. As associações negativas estabelecidas nesses momentos fazem com que a criança, aos poucos, passe a encarar os livros como algo entediante e, com o tempo, ela se torna um jovem com aversão aos livros. Outra causa é a vida que ficou rápida demais. O controle remoto, a internet, as mensagens instantâneas dos celulares nos tornaram ‘imediatistas’, assim, a leitura é vista como algo lento e chato”, completa.

Para ela, a única forma de fazer com que essa prática aumente novamente é estimular a leitura. “Investimentos em bibliotecas, professores capacitados, adequação do conteúdo das aulas de literatura são elementos que podem incentivar os jovens a terem maior contato com as palavras”, explica.
Ela diz que também é papel dos pais estimular a prática. “Pais que não leem dificilmente poderão ensinar aos filhos os benefícios da leitura de informação e entretenimento”, comenta.

Outra dica da docente é a preferência dos jovens por livros digitais. “Eles dominam a tecnologia e, assim como o de papel, esse livro é facilmente manuseado e transportado. A diferença é que ele pode ser até mais interativo e atraente para os jovens. A forma como a leitura chega até eles é o que menos importa. O que vale é se ela os alcança, pois se isso ocorre, a perspectiva sobre si, sobre o outro e sobre o mundo que os cerca se transforma e eles se tornam pessoas mais completas e aptas a fazerem a diferença em seu ambiente”, finaliza.

Mais O que foi dito

Todas as notícias sobre "O que foi dito"

Receba por e-mail


Cadastre-se!

Livrômetro

Relógio da leitura no Brasil

570.240.000

Livros lidos em 264 dias de 2017 no país