Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

22 de setembro de 2017

Chuááá

Diário de Copa 15

Galeno Amorim

Choveu copiosamente na arena de Copacabana antes, durante e, com a graça do bom Deus, após o jogo entre Brasil e Alemanha. Nada de festa, nada de choro, nada de ranger de dentes.
Entre o asfalto e o oceano silencioso, só o vazio indescritível.
Sem o camelô, sem o artesão da areia, sem o atleta de fim do dia, restou à Princesinha do Mar o soluço baixo. Banhistas se escafederam, pregadores não apareceram, vendedores de sonhos baratos não vieram. Nem vendedores de capas de chuva quiseram saber. Não sobrou viva alma para ouvir o lamento de dor.
O encanto de lugares assim se faz de glórias e de tragédias. E, sobretudo, da mesmice mágica de todo santo dia, porque moradores e o povo simples da vizinhança, que fazem daquilo a razão da vida, sempre voltam.
Quando a chuva passa, o riso alto, o barulho desmedido do vozerio e os acordes nos quiosques vão estar lá outra vez. Porque assim é que é. No lugar dos relâmpagos e do trovão desta terça-feira pútrida, logo logo o ribombar da alegria de toda hora na orla querida reaparece.
O certo é que no cair da tarde em que o escrete nacional escreveria a página mais dolorosa da sua biografia, Copacabana, tal qual nosso craque nacional, reverenciado numa de suas esculturas de areia, também não sentiu, por instantes, as pernas.
Ficou sem pernas e sem palavras.
Mas chuva sempre passa. Como na piada do lotação que corta de fora a fora a Avenida Nossa Senhora de Copacabana, tirante o motorista e o cobrador, o resto é tudo passageiro.
Amanhã vai ser outro dia, Copa!

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