Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

22 de setembro de 2017

Londres é aqui!

Diário de Copa

Galeno Amorim

O Rio amanheceu com cara e jeito de Londres. O fog londrino famoso tomou conta do cenário radiante e ensolarado que, via de regra, costuma dar o tom e o colorido especial às manhãs da orla carioca. Coberta por nuvens espessas, Copacabana tratou, logo cedo, como é de bom tom nessas horas, de se enquadrar: a Princesinha do Mar não quis saber sequer de acordar a fim de saudar o domingão e ver qualé.

Quem caminhasse cedinho pela Avenida Atlântica, na beira-mar, com uma de suas pistas interditadas para o lazer dominical das famílias e turistas de fim de semana, sentia a inversão e o baque. Mal se conseguia mirar as ondas do Atlântico a desembocar na areia a meia distância do Calçadão glorioso.

Os shorts e biquínis das moças deu lugar a uma vestimenta sóbria e sombria, ao menos para quem se habituou com a moda primavera-verão que em Copacabana dura os doze meses do ano.

A gauchinha que se aventurou a entrar na água que já é fria nos outros dias do ano precisou se conter, e buscou a proteção de uma manta. Surpresa, a guria dizia, aos berros, a quem quisesse ouvir:

- Bah, que saudades do calor de Porto Alegre...

Ironia pura. Mas no lugar das cangas – uma vez que, como apregoa a canção, já vem chegando o verão e, com ele, um calor no coração, topless na areia e todas de bundinha de fora... –, as malhas e os abrigos de inverno. Em vez de viseiras e bonés de ocasião, houve quem preferisse o estilo chapelão panamá. Era assim mesmo que caminhavam pela orla duas raparigas, como se estivessem, tranquilamente, a caminho da Festa do Peão de Barretos.

A neblina que escondia o cenário do Cristo e do Pão de Açúcar produziria, ainda, outros efeitos interessantíssimos. Em pleno calor eleitoral, do Forte de Copacabana à Praça do Lido não se via uma só bandeira, um só cavalete ou o que quer que fosse que permitisse lembrar que, daqui a poucos dias, a cidade vai eleger governador e presidente da República. Nadica da silva...

Se os cariocas da gema sumiram do mapa, às turras com o tempo invernoso, já os mineiros, não. Desde muito cedo, eles chegavam e partiam, aos bandos, rumo à outra parte da cidade. Pelos gritos, cantos de guerra e o azul de suas camisas e bandeiras, se via que eram cruzeirenses, que atravessaram, na madrugada, as fronteiras de Minas prontos a tomar de assalto o Maracanã em sua peleja pelo Campeonato Brasileiro de futebol. Só um ou outro flamenguista esteve a postos para dar as boas vindas, como é de praxe entre torcidas rivais que se enfrentam.

Foi o que salvou a manhã de domingo de Copacabana do seu destino modorrento e londrino.

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