Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

16 de outubro de 2018

Pra começar

Sérgio Pavarini

Milhões de livros vendidos e poucas pessoas na sessão de autógrafos, incluindo parentes e funcionários (constrangidos) da editora. No estande ao lado, centenas de jovens e adolescentes disputam um clique para eternizar o encontro com a nova sensação das letras. Desconhecido até pouco tempo atrás, vende mais livros em um mês do que muitos “imortais” em vários anos.
 
A cena ocorrida num evento recente ilustra que o segmento literário mudou. Quem vai colar os caquinhos do velho mundo? Não podemos controlar as mudanças, mas temos a chance de decidir qual será a nossa reação a elas. Amar os livros pressupõe um apetite insaciável por conhecimento e refletir sobre as transformações deve sempre fazer parte do cardápio.
 
Somos o povo que passa mais tempo online nas redes sociais. 69% dos brasileiros concordam que a publicidade online os motivou a procurar informação extra sobre o produto/marca oferecido. Projeção da PricewaterhouseCoopers aponta que em 2018 o lucro das editoras com livros digitais será superior ao da venda de livros impressos. O faturamento do e-commerce no Brasil deve crescer 20% neste ano, atingindo 43 bilhões de reais.
 
Os sinais estão por toda a parte e não podem ser ignorados. O desafio que proponho neste espaço é abrangente e vale para diversas áreas da vida, inclusive para a corporativa. Em vez de discutir ou tentar mudar as paisagens, podemos ajustar o foco. O cenário às vezes permanece inalterado, porém passamos a vislumbrar possibilidades antes escondidas.
 
Essa visão ampla traduz de forma quase poética o que é marketing, palavra que ainda provoca confusão e muxoxos de desprezo. “Aquele livro ruim só fez sucesso graças ao marketing.” “Se não fosse aquele marqueteiro, jamais a Sicrana teria vencido as eleições.”
 
Em tempos de reducionismo alçado a sinônimo de erudição nas redes sociais, é preciso lembrar: marketing não é sinônimo de propaganda enganosa e usa a verdade como um de seus principais ingredientes. Não confundam Joseph Goebbels com Philip Kotler. #pfvr
 
Sob o gigante guarda-chuva do marketing digital, vamos conversar sobre Facebook, Twitter, Instagram e blogs literários, entre outros temas. Numa seara em que as verdades podem durar apenas algumas horas, o único requisito para o papo é a disposição de refletir. Como diz o adágio, “toda banda larga é inútil, se a mente for estreita”
 
“Se tudo caiu, que tudo caia, pois tudo raia. E o mundo pode ser seu” (Marina Lima).

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Sérgio Pavarini é apaixonado por livros e por Internet e atua na área editorial há mais de 15 anos. Jornalista e blogueiro, foi editor e gerente de marketing antes de abrir sua agência especializada em digital.

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