Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

21 de novembro de 2017

Ivan Pires e a biblioteca que interage com a vida

Carlos Abreu - Guia Campos - 19/11/2015

O que lê um atleta de ponta? E um empresário de sucesso?

A casa em Abernéssia guarda os traços da arquitetura original da região, como a simplicidade das formas e linhas exteriores, o simpático forro de madeira e os ambientes claros, batidos pela luz. A construção também preserva algo de seu passado que se manifesta no presente, o aconchego familiar.

É na sala que estão os livros e a biblioteca pessoal de Ivan Pires, cuja serenidade envolve uma personalidade inquieta, no melhor sentido da palavra, de onde vem o atleta campeão, o empresário bem sucedido da área da gastronomia, o homem que valoriza a família, o empreendedor que integra pessoas e a figura de um leitor.

É com o leitor, com o guardador e explorador do conhecimento extraído dos livros, que vamos começar nossa conversa, sempre em diálogo com sua vida pessoal e profissional.

Seus livros, físicos ou virtuais, mostram interesses variados. Em suas estantes há romances, livros de viagens e, claro, publicações sobre temas como esporte, administração e gastronomia.

Na área de ficção, Ivan conta que a escolha dos livros é feita mais a partir do tema abordado na narrativa do que pelo autor ou país de origem. Na área de esportes, as leituras são curiosas e variadas. Como um livro sobre uma tribo mexicana que tem os melhores corredores do mundo e que, para comer, seus habitantes correm atrás da caça até que ela caia morta por exaustão.

A leitura esportiva do momento é uma espécie de enciclopédia das maratonas. Só que ela não está na estante e sim no tablet, em formato digital. O e-book, em inglês, aborda assuntos práticos, que vão desde como começar a correr até como organizar maratonas. Na área de gastronomia, a leitura tem um viés mais profissional, já que esta é a principal atividade de Ivan. São livros sobre café, seus aromas, manuais de baristas, chocolates e até sobre as melhores plantações de cacau.

O contato com o mundo das publicações em geral e dos livros em particular surgiu na infância, pois Ivan cresceu no meio dos livros. Seu avô tinha uma livraria em Capivari, que foi posteriormente administrada pelo pai, a J.B. Pires. Um estabelecimento que, além de livros, vendia jornais e revistas. As famílias tinham conta na livraria, pagando a despesa no final do mês. Ivan lembra que, quando criança, ajudava a montar bem cedinho os jornais que seriam vendidos no dia, pois eles chegavam com todos os cadernos separados.

Dentre as lembranças de infância, pergunto como o esporte entrou na sua vida. A resposta é que foi pela porta da frente, em sua própria casa. Sua mãe costumava, em determinado período do ano, transformar a casa da família numa espécie de colônia de férias. Durante 15 dias, cerca de 40 pessoas se hospedavam ali, exercendo atividades manuais, teatro de fantoches e praticando atividades físicas, com muitas caminhadas pela região. Ivan gostava desse contato com a natureza. Ia ao Rancho Alegre, onde pescava, fazia com os amigos um barco para navegar no rio – “invariavelmente acabávamos molhados”, conclui bem humorado.

Em 1998 a corrida de aventura veio para o Brasil e Ivan se interessou pela modalidade. Este é um tipo de prova na qual o participante recebe um mapa e uma bússola e faz o percurso de várias formas – a pé, de bicicleta, nadando, a cavalo, fazendo escaladas, etc. Apenas para termos uma ideia, em uma prova mais ou menos recente, realizada na Bahia, da qual Ivan participou, o percurso tinha 610 km, uma duração de sete dias e a participação de 50 equipes.

Em 2001, Ivan passou um ano na Austrália, levando sua mountain bike. Só que a bicicleta quebrou e a saída foi começar a correr. Entrou em uma prova de 10 km e, para sua própria surpresa, ganhou. Entusiasmado, participou de provas nesse país e também na Nova Zelândia, até voltar para o Brasil em 2002.

Manteve a atividade física quando retornou até que, em 2008 parou por quase 4 anos, “só trabalhando, sem fazer mais nada”. Se a escolha foi boa para o lado profissional, por outro trouxe um preço físico. O stress veio acompanhado de dores na nuca. A partir do conselho de um amigo, resolveu voltar ao esporte. Num 1º de janeiro participou de uma prova de mountain bike. Começou a frequentar a pista de atletismo de Abernéssia, ao lado do ginásio esportivo. E é desta prática, tão ao alcance de todos nós, que começa uma nova fase, de onde surge o atleta de sucesso que conhecemos hoje.

Ivan diz que pretende correr enquanto tiver condições para isso. Os planos para 2016 são bons. Participará em fevereiro do “Cruce de los Andes”, uma prova de 100 km dividida em 3 etapas. Em maio voltará à Austrália e à Nova Zelândia para rever os amigos. Em agosto, o ponto máximo – estará na Ultra Trail Mont Blanc, uma prova que começa na Itália e termina na França, em Chamonix. “É a copa do mundo das corridas de montanha”, diz. Sua meta é estar entre os três primeiros colocados.

Hoje o esporte está em total sintonia com sua atividade profissional na área da gastronomia, pois seu Café, entre Capivari e Jaguaribe, transformou-se num point de atletas em Campos do Jordão.

Um bom exemplo é a organização de “Training Camps”, encontros com a presença de atletas que são referência na área. No 1º encontro, havia 15 atletas. Mas em 2015 já eram 70 pessoas, com a presença de 9 atletas de elite. “O primeiro dia foi no Kaldi (Café de sua propriedade), com 70 pessoas no chão”. Um dos temas abordados foi a consciência dos benefícios e o conhecimento dos limites no esporte. “Atletas profissionais participam de duas maratonas por ano, mas há pessoas que participam de quase uma por mês. Isso encurta a carreira”, diz Ivan. Na parte prática, os participantes do encontro foram em vans até o Pico do Diamante e de lá seguiram por trilhas até o Morro do Camelo, que fica depois do Pico do Itapeva.

Ivan Lareira vertAlém de ponto de encontro de esportistas, Ivan, que se posiciona como alguém que trabalha com Gestão de Negócios e Pessoas, quer transformar sua empresa em um centro de treinamento em café e chocolate, fazer com que ela seja uma referência, um modelo, difundindo o conhecimento e valorizando os profissionais da área.

Depois dessa corrida pelas montanhas e pelo universo do café e do chocolate, é hora de encerrar nossa conversa, voltando novamente para os livros. Entre um assunto e outro Ivan havia comentado que no esporte o difícil é começar, pois sempre há um adiamento, uma desculpa do tipo “a semana que vem vou começar”. Ivan é enfático: “é preciso sair da zona de conforto, se propor a fazer um esporte e saber que nunca é tarde. Estabelecer uma meta inicial e por em prática”. O pensamento referente aos livros é similar. “É muito mais cômodo deixar de ler”, diz Ivan. “Também aqui é preciso sair da zona de conforto, pois ao virar um hábito, ler é prazeroso. Isso vale para qualquer área da vida, desde um livro de receitas até um livro acadêmico”. E conclui: “com os livros é possível pegar experiências e aprender com os erros e acertos relatados. Ler é uma maneira de evoluir e crescer”. Palavra tripla: a do leitor, do esportista e do empresário.

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