Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

26 de setembro de 2018

Metadados, o ovo e a galinha

Leonardo Neto - Publishnews - 26/08/2016

Um dos destaques da programação do Congresso do Livro Digital, que aconteceu nesta quinta-feira, Ronald Schild está no Brasil também para mostrar a editores e livreiros brasileiros como vai funcionar a versão brasileira do Books in Print, plataforma de gerenciamento de metadados idealizada pela MVB, coligada à Feira do Livro de Frankfurt, que está aportando no Brasil. Logo mais, às 18h, no Espaço Ignácio de Loyola Brandão (N010), Schild vai apresentar o primeiro protótipo da plataforma ao mercado brasileiro.
“O nosso objetivo no Brasil é permitir que editores e livreiros comercializem melhor seus livros e aumentem suas vendas. Para alcançar esse objetivo, nós vamos coletar todos os metadados de todos os editores, gerir em uma central de dados, eliminar inconsistências, padronizar elementos-chaves como nomes, produtos, categorias, palavras-chaves e prover às livrarias uma única fonte de dados”, explicou Shcild.
Para chegar lá, o executivo precisa superar o dilema do ovo e da galinha. “Livreiros esperam que os editores forneçam seus dados. Os editores, por outro lado, exigem que a plataforma tenha um grande número de livrarias cadastradas antes de fazer o input dos seus dados”, comentou.
Como você poderia apresentar aos brasileiros os serviços do Books in Print?
O nosso objetivo no Brasil é permitir que editores e livreiros comercializem melhor seus livros e aumentem suas vendas. Para alcançar esse objetivo, nós vamos coletar todos os metadados de todos os editores, gerir em uma central de dados, eliminar inconsistências, padronizar elementos-chaves como nomes, produtos, categorias, palavras-chaves e prover às livrarias uma única fonte de dados, construindo um catálogo inteligível. Assim, nós nos certificamos de que as informações de um novo título, ou a atualização de dados de um título em específico, encontrem o seu caminho rumo à livraria e tudo isso acontece em tempo real. Com isso, nós aprimoramos a "descobertabilidade“ dos livros, maximizando as chances de vendas de cada título. Isso também permite automatizar todo o processo, que hoje é feito manualmente.
Quais os interesses que o Books in Print tem no Brasil?
O mercado do livro, dividido por barreiras linguísticas, se tornou um mercado global. Nós temos best-sellers globais, negócios de direitos autorais fechados globalmente, varejistas globais. Na MVB [subsidiária da Feira do Livro de Frankfurt e desenvolvedora do Books in Print], nós estamos certos de que essa tendência continuará e crescerá. O que nós queremos é apoiar editores e livreiros internacionalmente, oferecendo a eles uma infraestrutura para seus metadados.
Nós acreditamos que estamos em condições de fazer isso. Relançamos o Books in Print na Alemanha há doze meses. Nos três anos anteriores, nós reconstruímos completamente a plataforma, usando a mais recente tecnologia. Como resultado disso, nós temos hoje uma das mais – se não a mais – avançada plataforma de metadados em todo o mundo.
Como o mercado brasileiro tem funcionado sem um serviço de gerenciamento de metadados?
Esta foi uma pergunta que nós ouvimos frequentemente enquanto estávamos apresentando o projeto. Atualmente, tanto editores quanto livreiros brasileiros têm enfrentado uma série de desafios. Os editores precisam fornecer metadados em diferentes formatos, de acordo com os padrões e os processos de cada um dos livreiros. Esse processo é propenso a erros e pode acarretar intervalos de semanas entre a data da publicação e o início das vendas. E isso sem falar nos custos envolvidos na manutenção desses processos.
Livreiros, por outro lado, têm um problema similar: eles têm que gerir uma quantidade enorme de dados enviados individualmente por cada um dos editores. Isso acontece, frequentemente, com inconsistências na categorização de seus produtos e uma capacidade muito limitada no controle de qualidade desses dados.
Além de todos esses desafios, há um enorme custo e problemas de eficiência. Há, como funciona hoje, uma necessidade de emprego de recursos humanos e financeiros muito grande para fazer que os livros sejam descobertos e promovidos nas livrarias.
Por que você acha que esse é o momento para desenvolver uma plataforma como essa no Brasil?
Metadados é o novo ouro do mercado editorial. Editores de todo o mundo começaram a reconhecer que a potencialidade de comercialização de títulos individualmente depende, cada vez mais, da qualidade dos metadados. Tecnologia e o gerenciamento de dados se tornaram chaves em casas editores e em companhias de varejo.
Quais os efeitos positivos que o Books in Print podem trazer ao mercado brasileiro?
Estamos nos esforçando para tornar o mercado editorial brasileiro mais eficiente e rentável. Acreditamos que, com o Books in Print, os livros poderão encontrar seus caminhos rumo a seus leitores de forma mais fácil, permitindo, assim, mais vendas tanto para editores quanto para livreiros.
Tem enfrentado muitos desafios com o projeto?
Os desafios são muitos. Primeiro, temos de entender as especificidades do mercado brasileiro e adaptar a nossa plataforma a elas. Essa parte já está em desenvolvimento e quase finalizada. Mas, depois vem o principal desafio: como superar o dilema do ovo e da galinha. Livreiros, embora muito interessados em subscrever o Books in Prints, esperam que os editores forneçam seus dados. Os editores, por outro lado, exigem que a plataforma tenha um grande número de livrarias cadastradas antes de fazer o input dos seus dados. Exatamente por essa razão, nós temos discutido nossos planos por meses e meses com ambos os lados dessa questão. O nosso objetivo com isso é fortalecer a plataforma ao máximo desde o início.
Além do Brasil, vocês têm planos para expandir o seu negócio para outros países?
Nesse momento, as nossas prioridades um, dois e três são garantir um lançamento exitoso no Brasil. No entanto, acreditamos que essa experiência poderá ser um divisor de águas para expandir o Books in Print para toda a América Latina.

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