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17 de outubro de 2017

Bob Dylan, finalmente, recebe o Nobel de Literatura na Suécia

UAI - 02/04/2017

Após meses de suspense, Bob Dylan finalmente recebeu, neste sábado, seu Nobel de Literatura em uma reunião com a Academia Sueca, que lhe concedeu o prêmio por sua poesia.

Como Thomas Mann, Albert Camus, Samuel Beckett, Gabriel García Márquez e Doris Lessing, o cantor e compositor americano, de 75 anos, entrará no panteão dos homens e mulheres de letras que foram recompensados pela Academia Sueca desde 1901.

Mantida em segredo até o final, a entrega do prêmio foi confirmada na noite de sábado, 1, por um dos membros da Academia, Horace Engadahl, que não deu detalhes. “Sim”, respondeu Engdahl à rede de televisão pública SVT, que lhe perguntou se Dylan tinha recebido o prestigioso prêmio, que foi anunciado em outubro passado.

No entanto, não foram explicadas as circunstâncias exatas da entrega da medalha e do diploma do prêmio, nem se esta ocorreu antes ou depois do show de Dylan no sábado na capital sueca.

O mistério permanece em torno ao discurso de aceitação, que poderia ser uma canção, e que tem que ser pronunciado por todos os premiados no período de seis meses após a cerimônia de entrega, neste caso antes de 10 de junho.

“A Academia Sueca e Bob Dylan concordaram em se reunir neste fim de semana. A reunião será pequena e íntima e nenhum meio estará presente, só comparecerão Bob Dylan e os membros da Academia, conforme o desejo de Dylan”, escreveu a secretária permanente da Academia, Sara Danius, em seu blog.

“Não se pronunciará nenhum discurso Nobel. A Academia tem razões para pensar que posteriormente será enviada uma versão gravada”, acrescentou Danius. Este discurso é o único requisito para receber as oito milhões de coroas (839.000 euros, 870.000 dólares) que acompanham o prêmio.

Bob Dylan tinha previsto realizar dois shows em Estocolmo, no sábado e no domingo, para iniciar uma turnê europeia com ocasião do lançamento do seu novo trabalho, “Triplicate”, um disco triplo de versões de canções de Frank Sinatra.

Pouco antes do show de sábado, às 19H30 (14H30 de Brasília), seus fãs começavam a encher as imediações do Stockholm Waterfront, onde a apresentação seria realizada.
Ylva Berglof, redatora de 62 anos, ia ver o cantor nos palcos pela 18ª vez. “Merece [o Nobel], apesar de eu achar que ele não administrou bem isso. Poderia ter mostrado mais gratidão”, disse.

“Arrogância”

Em uma escolha inesperada, que gerou indignação em algumas pessoas, Bob Dylan, cujo nome verdadeiro é Robert Allen Zimmerman, foi premiado em outubro por criar “novos modos de expressão poética dentro da grande tradição da música americana”, segundo o anúncio da Academia.

O compositor de “Blowing in the Wind” e “Mr. Tambourine Man” é o primeiro músico a receber o prestigioso prêmio. Seu nome, como o do canadense Leonard Cohen, falecido em novembro, figuravam com frequência entre os possíveis candidatos.

Enquanto os críticos mais puristas esperavam que o prêmio fosse para seus compatriotas Philip Roth ou Don DeLillo, a secretária permanente Sara Danius sempre defendeu a escolha da Academia, inscrevendo a poesia cantada de Dylan na tradição de Homero.

Após o anúncio, Bob Dylan ficou em silêncio, o que aumentou a polêmica. Um dos notáveis da Academia, Per Wästberg, chegou a criticar sua “arrogância”. Durante o banquete de entrega dos prêmios, em 10 de dezembro, foi a embaixadora dos Estados Unidos na Suécia que leu seu discurso de agradecimento, no qual afirmava que não podia acreditar que seu nome figurava ao lado de autores como Rudyard Kipling (1907) e Ernest Hemingway (1954).

“Esses gigantes da literatura cujas obras são ensinadas na sala de aula, abrigadas em bibliotecas ao redor do mundo e das quais se fala em tons reverentes, sempre me impressionaram profundamente”, disse então.

Para Martin Nyström, crítico musical do jornal Dagens Nyheter, o músico “tem uma agenda incrível. É um artista, escreve livros, textos, música e está em turnê com a sua banda sem parar”.

Nesta sexta-feira, o cantor, natural de Minnesota (norte dos Estados Unidos), publicou um álbum triplo, “Triplicate”, onde presta uma homenagem à idade de ouro da composição americana, com versões de clássicos dos anos 1940 e 1950.

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