Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

29 de abril de 2017

Cremilda de Lima sugere plano de leitura em Angola

Manuel Albano - Jornal de Angola Online - 02/04/2017

A escritora Cremilda de Lima considerou, ontem, em Luanda, importante a criação de um plano nacional de leitura, que incentive os alunos a estudarem obras literárias infantis, a partir do primeiro ciclo do ensino de base.
A proposta foi defendida durante um encontro sobre literatura infanto-juvenil, entre escritores angolanos e uma brasileira, na Mediateca 28 de Agosto, em alusão ao Dia Internacional da Literatura Infantil, que se assinala hoje.
Na sua opinião, o plano vai ajudar as crianças a conhecerem melhor os autores e as suas obras desde muito cedo, permitindo que as mesmas desenvolvam o gosto pela leitura e conheçam a história do país.
Acrescentou que a literatura infantil tem um papel fundamental no desenvolvimento da imaginação, emoções e sentimentos das crianças, razão pela qual apelou ao Executivo, no sentido de criar políticas nacionais sobre produção, edição e distribuição do livro.
Advogou o papel dos adultos para o incentivo à leitura. “As crianças devem ter contacto permanente com os livros. Os encarregados de educação e pais devem estar envolvidos nesse processo”.
Por outro lado, a escritora falou da génese da literatura infantil em Angola, fez uma caracterização das diferentes fases etárias do desenvolvimento psíquico da criança bem como analisou a produção actual.
Cremilda de Lima fez uma abordagem sobre os precursores da literatura, os primeiros livros infantis publicados e o impacto social das obras.

Internacionalização

A escritora brasileira Márcia Holanda fez uma abordagem sobre a internacionalização da literatura infantil, tendo apontado como caminhos estratégicos de divulgação dos livros no mercado internacional, a participação permanente dos escritores angolanos nas feiras internacionais. Dentro de uma política de Estado bem elaborada e estruturada, garantiu ser possível tornar os escritores angolanos e as suas obras conhecidas internacionalmente. Desta forma, explicou, muitos são os países, a exemplo do Brasil, que aproveitam as principais feiras internacionais, como a de Frankfurt, a de Havana e a do Rio, para divulgação dos livros, parceria com editoras e tradução.
Outra sugestão da escritora, que tem trabalhado imenso com conteúdos infanto-juvenis, é a utilização das redes sociais, actualmente uma das fontes para projecção da imagem dos escritores e das suas obras no contexto internacional.
Realçou a importância dos ilustradores e cartoonistas no processo de aprendizagem e de ensino das crianças, explorando a banda desenhada, e desenhos animados para despertar o gosto pelas letras.
O escritor Áurio Quicunga, um dos promotores da actividade e autor do conto infantil “Lodinho-Menino de Lodo, Boneco de Ouro”, vencedor do prémio Jardim do Livro Infantil 2011, disse ser importante um maior diálogo em torno da literatura feita para as crianças. A regularidade dos eventos que promovem e incentivam a criatividade dos alunos deve ser constante, envolvendo as escolas e instituições ligadas ao desenvolvimento da liteartura infantil.
A abordagem do folclore angolano nas obras infantis, foi um tema apresentado pelo escritor Michael Kayanga. O orador falou das lendas e tradições folclóricas dos povos, transmitidas oralmente, de geração em geração, como fonte inspiradora da literatura infantil, atribuindo às obras valor social.
O valor pedagógico e didáctico intrínseco nos livros infantis foi outro tema, apresentado pelo radialista Joaquim Freitas “Tio Kim”, autor do livro “A mensagem do Kaluanda-Piô na prevenção da dor de dente”.

Programa da Mediateca

O debate foi aberto com uma performance da Companhia Infantil Tuzolanda e do grupo infantis As Ladissas, que animaram a actividade, com uma peça de teatro musical, onde as crianças demonstraram os cuidados a tomar na preservação e manutenção dos livros. A porta-voz da Rede de Mediateca de Angola, Cândida Costa, disse, que o objectivo foi cumprido com a realização do projecto Encontro de escritores da literatura infantil.
Um dos objectivos foi o de celebrar o Dia Internacional da Literatura Infantil e destacar o contributo que os escritores angolanos têm prestado, ao longo dos anos na preservação e divulgação da literatura.
Com esse projecto, realçou, um dos programas da Mediateca de Luanda tem sido a promoção de debates sobre literatura infantil, em particular, e as artes no geral. “Vamos continuar a trabalhar no sentido de promovermos encontros com a participação de escritores e profissionais das áreas de ilustração, edição e formação de leitores para maior divulgação dos livros dirigidos às crianças”.
A iniciativa é da Kikunga Entretenimento e da Editora Viana, inserida no programa da Rede de Mediatecas de Angola.

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