Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

18 de dezembro de 2017

Amazon mais perto da loja de tudo

Eduardo Cunha

A Amazon acaba de dar um grande passo na direção de se tornar no Brasil a loja de tudo, ela abriu seu marketplace para distribuidores, livrarias, sebos, entre outros. No meu entendimento, muito mais do que abrir seu canal, é o avanço definitivo para a abertura de categorias que ultrapassam o quintal livreiro.
Mas o que muda em nosso mercado? Em um primeiro momento, nada. A Amazon vai continuar crescendo, principalmente pelo aumento do seu catálogo que já é grande, porém, com a força dos seus novos parceiros, será o maior catálogo disponível em estoque do mercado brasileiro, soma-se a isso a disposição das editoras brasileiras de cada vez vender mais para Amazon, principalmente por ser um dos poucos grandes varejistas a realizar pedidos de compras e não de consignação, além do histórico de pagamento em dia em um momento em que o mercado está cheio de relatos de falta de pontualidade nos pagamentos.
Espero que a entrada da Amazon provoque a chegada de outras grandes lojas no modelo. Não faz sentido ficar fora, mas afinal, como andam os marketplaces do livro, quase um ano depois que falei do assunto aqui mesmo?
A B2W lidera em todas categorias que atua. O Marketplace saltou de 2,5 mil vendedores, em 2015, para 4,7 mil, em 2016. A movimentação financeira passou de R$ 860 milhões para R$ 2,2 bilhões, um crescimento de mais de duas vezes e meia no mesmo período. A B2W não divulga dados separados por categorias, mas com uma simples pesquisa em seus sites encontrei 26 Sellers diferentes (nome dado aos vendedores de marketplaces) vendendo livros além dos sites do próprio grupo, mesmo com a entrada de outros players como Walmart e Magazine Luiza, os números de diversos livreiros que obtive contato, a B2W representa sempre mais de 80% das vendas.
Quanto aos preços, aconteceu o que já comentávamos. Hoje existe uma guerra de preço dentro dos próprios marketplaces. Em uma rápida pesquisa dos dez livros mais vendidos da lista do PublishNews, os descontos variam de 37% a 43% - é uma beleza! - desta forma, todos perdem. Lembro-me de quando o Bcash passou a oferecer anúncio grátis no Buscapé em troca de uso exclusivo do seu meio de pagamento, surgindo, da noite para o dia, um bocado de livrarias on-line que desapareceram logo após a regra do jogo mudar, deixando muitos boletos em aberto em editoras e distribuidoras.
Para o livreiro, o marketplace deve ser encarado como um canal adicional de vendas: não pode ser a razão da sua operação; cuide bem de sua loja.
Já o editor que não tem experiência no atendimento de pedidos fracionados ou no SAC para consumidor final, então, privilegie seu bom parceiro e não entre nessa.
Seja qual for o preço de venda ao consumidor, o “aluguel” do shopping estará sempre garantido, já o resultado da loja?…
E tem mais, logo, logo chegará o Alibaba… aí, eu fico curioso para saber para quem essa atividade será um “Negócio da China” ?

(Publishnews - 12/04/2017)

*

Eduardo Cunha é graduado em Marketing e Administração; MBA em Gestão Empresarial pela FGV. Atua há 16 anos no mercado editorial, tendo bastante experiência em toda a cadeia do livro, principalmente em sua área comercial. Iniciou na Revista dos Tribunais, passou a gerir a Vértice Books e, através de ambas, tornou-se co-fundador do Grupo BOOKPartners. Atualmente é advisor da startup mercadoeditorial.org, além de prestar consultoria em outros players do mercado

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