Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

29 de abril de 2017

Sete obras essenciais para conhecer Mia Couto

Vermelho - 16/04/2017

Nascido em Beira, Moçambique, em 1955, Mia Couto, pseudônimo de António Emílio Leite Couto, é biólogo e escritor. Terra Sonâmbula, o seu primeiro romance, de 1992, ganhou o Prêmio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos, em 1995. Em 2013, foi homenageado com o Prêmio Camões.

Mia escreve em diversas formas, mas todas com algo em comum: a sensibilidade. Seus textos traduzem e explicam a alma humana, o que torna impossível para alguém permanecer indiferente após a leitura. É um dos autores africanos mais reconhecidos da atualidade, aclamado em todo o mundo.

Selecionamos sete obras essenciais para entender Mia Couto:

Poemas escolhidos

Para esta antologia poética, Mia Couto selecionou poemas de seus livros Idades cidades divindades, Raiz de orvalho e outros poemas e Tradutor de chuvas.

Terra sonâmbula

Um ônibus incendiado em uma estrada poeirenta serve de abrigo ao velho Tuahir e ao menino Muidinga, em fuga da guerra civil devastadora que grassa por toda parte em Moçambique. Como se sabe, depois de dez anos de guerra anticolonial (1965-75), o país do sudeste africano viu-se às voltas com um longo e sangrento conflito interno que se estendeu de 1976 a 1992.

O veículo está cheio de corpos carbonizados. Mas há também um outro corpo à beira da estrada, junto a uma mala que abriga os “cadernos de Kindzu”, o longo diário do morto em questão. Qual será a ligação entre estas duas histórias? Um romance escrito numa prosa poética que remete a Guimarães Rosa.

Mulheres de cinza

Apesar do tema duro – a luta, no século 19, de Portugal para “livrar” o sul de Moçambique do domínio do ditador africano Ngungunyane -, o lirismo de Mia Couto transforma a história em algo incrivelmente poético. Muito coerente da sua parte dividir a obra em dois narradores: uma nativa africana e um soldado português. No começo, o leitor fica surpreso com as lendas africanas e consternado com a ingenuidade dos nativos. Contudo, ao longo das páginas, ele percebe que esta ingenuidade está justamente no lado lusitano, que em momento algum entende, de verdade, as nuances do local que deseja tanto conquistar. E o melhor? É apenas o primeiro volume de uma trilogia.

Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra

O retorno de Marianinho a Luar-do-Chão não é exatamente uma volta às suas origens. Ao chegar à ilha natal, incumbido de comandar as cerimônias fúnebres do avô Mariano – de quem recebeu o mesmo nome e de quem era o neto favorito -, ele se descobre um estranho tanto entre os de sua família quanto entre os de sua raça, pois na cidade adquiriu hábitos de um branco. Aos poucos, Marianinho percebe que voltou à ilha para um renascimento.

O fio das missangas

Em histórias de desencontros, de incompreensões, de vidas incompletas e de sonhos não realizados, Mia Couto condensa as infinitas vidas que podem se abrigar em cada ser humano. São 29 contos unidos como missangas em redor de um fio.

Antes de nascer o mundo

Jesusalém, pequeno local encravado em Moçambique, abriga cinco almas apartadas das gentes e das cidades do mundo. Ali, ensaiam um arremedo de vida: Silvestre e seus dois filhos, Mwanito e Ntunzi, mais o Tio Aproximado e o serviçal Zacaria. O passado para eles é pura negação recortada em torno da figura da mãe morta em circunstâncias misteriosas. E o futuro se afigura inexistente. Mas um belo dia os donos do mundo voltarão para reivindicar a terra de Jesusalém. E não só isso: uma bela mulher também virá para agitar a inércia dos dias solitários daqueles homens.

Estórias abensonhadas

Depois de quase trinta anos de guerra, Moçambique vive agora um período de paz. Numa prosa poética e carregada das tradições orais africanas, o autor tece pequenas fábulas e registros que, sem irromper em grandes acontecimentos, capturam os movimentos íntimos dessa passagem. Fantasia e realidade se entrelaçam e se impõem uma à outra, como num reflexo do próprio continente africano.

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