Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

25 de maio de 2017

João Batista Oliveira: 'Ler todo dia para as crianças...'

Educador há mais de meio século, o presidente do Instituto Alfa e Beto, o psicólogo João Batista Oliveira, especialista em leitura entre crianças menores, diz que se tivesse que fazer uma única recomendação para professores, ele não teria dúvidas: “ler todo dia, e muito bem, para as suas crianças...”

Qual o perfil do João Batista Oliveira traçado por ele mesmo?

R) Nós trabalhamos com a leitura, praticamente, desde a gravidez. Temos experiência com programas de futuras mães, preparando para ler e conversar com a criança a partir do livro. Nós temos um trabalho com os pais, sobretudo pais baixa renda, e com crianças de 0 a 2 ou 3 anos, que não estão na creche, para ensiná-las a ler. É um trabalho bem interessante em Boa Vista (RO), um trabalho muito interessante de leitura na pré-escola com orientações para as crianças, para os professores, para as famílias, com empréstimos de livros na escola. Nós temos a preparação para a leitura, que é a alfabetização e o desenvolvimento de leitura na escola, e programa de leitura ao longo da escola. O Ziraldo tem uma frase interessante: ´Ler é mais importante do que estudar´. Para entender essa frase do Ziraldo, a gente tem que entender o que é ler, porque ler é compreender, ler é estudar. Então, a nossa vida toda é em função desse tema.


Como tem sido seu trabalho de estímulo à leitura com os bebês desde a barriga da mãe?

R) A coisa mais importante para trabalhar com a grávida é prepará-la para receber a criança. Hoje, nós sabemos muito mais que antes da importância dos primeiros mil dias de vida, que incorporam também os nove meses antes do bebê nascer e os dois primeiros anos de idade, que são os três primeiros anos de vida. E é muito importante que na gravidez a mãe se prepare para receber a criança, a linguagem, a forma dela falar com a criança, a tonalidade e ela ler poesias para a criança. Quando a criança nascer, ela vai se lembrar, vai identificar aquela poesia lida por aquela pessoa. Isso tudo fortalece os vínculos de afeto da mãe com a criança e vai entusiasmar a mãe a ter mais relacionamento com a criança. Uma importância desse trabalho com as grávidas, sobretudo com pessoas de baixa de baixa renda ou que têm problemas com a gravidez, é evitar a depressão pós-parto, que é muito comum e é extremamente alta no Brasil. Ela afasta a mãe do convívio com a criança na época em que a criança mais precisa fortalecer esse vínculo. E quando você usa a linguagem e a comunicação, e o livro como instrumento de mediação, isso pode favorecer e preparar a mãe melhor para receber essa criança e ter instrumentos de melhor lidar com essa situação.

Qual é a fase que deve ser trabalhada de uma maneira mais efetiva – e de que maneira deve ser feito – para a criança se tornar leitora?

R) Nós temos um livro no nosso instituto que se chama “Os 600 livros que toda criança deve ler antes de entrar para a escola”. Por que 600? São 100 livros por ano durante seis anos; ou dois livros por semana, o que é uma dieta razoável. E, a partir de 3, 4 meses, a criança já é capaz de fixar o olho e ver alguma coisa. Então, já é a época de começar a mostrar a ela livros. Lógico que uma criança muito pequena, de um ano, a primeira coisa que vai fazer com qualquer objeto é colocar na boca. Então, tem que ser um livro adequado para isso. Em 2010, na Bienal do Livro, nós lançamos uma série de livros desse tipo como uma antecipação dessa onda que, hoje, é mais comum no Brasil: esses port-books, mais adequados. Então, é importante que seja um livro que ela possa colocar na boca porque, para ela, aquilo não é um livro. É um objeto como qualquer outro! E ela aprende pelos sentidos, depois pelo tato, depois pela visão, depois pela palavra, que vem junto. Mas a relação que se estabelece a partir do livro é que é fundamental. Pode ser de um pai analfabeto, uma mãe analfabeta, que vai ver a figura, que vai comentar a figura, e, sobretudo, nessa leitura de crianças, essa conversa, a entonação, a prosódia, tudo isso vai ajudando a criança a construir a sua sintaxe. É muito importante, além do livro, fazer a conexão do livro com o mundo da fala e com o mundo das coisas: tem um cachorro no livro, olha o cachorro, não é o mesmo do livro, e a criança vai aprender a fazer essa transição entre a leitura do mundo e o mundo da leitura. Então, desde cedo é a resposta. Nunca é cedo demais para começar esse trabalho... Mas o importante do trabalho não é, necessariamente, um livro e sua qualidade literária, ou a sua beleza física, que também é importante, mas a interação que se estabelece entre o adulto que media a relação da criança com o livro, e isso não tem tablet que vai substituir.


Há alguma recomendação especial sobre como deve ser dar a leitura ou a contação de histórias para crianças?

R) Eu não conheço nenhuma regra sobre isso. Existe uma literatura enorme a respeito da leitura. O meu viés de educador é o viés cognitivo, da preparação para a leitura, para a escola, do desenvolvimento cognitivo e da linguagem, e nas pesquisas que abordam esse tema tornam-se muito claro que uma das grandes contribuições do livro em relação a qualquer outra forma de leitura é a sintaxe no livro. O livro mais mal escrito do mundo é muito mais sofisticado do que a sintaxe oral. Então, sobretudo para a criança que não tem muito contato com a sintaxe mais rebuscada na sua casa ou na sua escola, o livro traz a ela estruturas sintáticas que são muito importantes no seu futuro desenvolvimento escolar. Então, nesse sentido o livro é insubstituível. Mas isso não significa que só a leitura do livro deve ser feita. Há uma leitura do livro: as crianças, depois dos 3 ou 4 anos, gostam muito da leitura ao pé da letra e você não pode mudar uma palavra que ela vai notar, e ela está treinando a sua memória, o que é muito importante, é fundamental para a escola. Mas há outras formas de leitura. Você pode sair da leitura, conversar, espichar a conversa em torno da leitura, e, eventualmente, fazer a sua leitura, e imaginar: ‘e se não fosse assim?’. ‘Vamos mudar o final dessa história?”, ‘Vamos mudar o início dessa história?’ Então, você coloca a criança como ator, como autor. Tudo isso são formas de leitura extremamente importantes. Mas nisso tudo o mais importante, no meu modo de ver, e aí eu não conheço pesquisas, mas é uma coisa da observação, é a naturalidade: a criança vai ler e gostar de ler porque gosta de você como pai, como professor, e vê que você também é um leitor, que lê o seu jornal, o seu livro, comentando a sua leitura. É nesse exemplo, mais do que da forma de você fazer, que você vai formar o futuro leitor: a criança vai gostar de ler porque gosta de você.

Há algum estudo que mostra o que acontece com aquelas as crianças que passaram por uma exposição mais forte ao livro? Elas tornaram-se mais leitores?

R) Há uma história boa e uma menos boa para contar. Existem muitas pesquisas e nós mesmo fizemos muitas no Brasil. Por exemplo, que comprovam que a leitura aumenta o vocabulário, melhora a estrutura sintática e pode ajudar na atenção, porque a criança se concentra mais tempo. E melhor ainda quando você cria o hábito e o gosto pela leitura. Até os 10 ou 12 anos, no mundo inteiro, as crianças leem, gostam de ler e nisso não há qualquer mistério ou dificuldade e há bons professores que as aninam a fazer isso e acesso a livros. O difícil, e no mundo inteiro, é a criança ler depois de 12 anos. O Harry Potter derrubou um pouco esse mito: são livros que toda criança lê e abriram o mundo da leitura para elas. Mas isso ainda não aumentou muito a leitura depois dos 12 anos. A adolescência tem outras coisas que parecem que atraem mais a criança ou o jovem do que o livro. Esse é um problema sério em todo mundo e que precisa ser atacado. E essa é a notícia trágica! A notícia boa é que há estudos, feitos durante décadas diferentes, em todos continentes do mundo, que mostram, sistematicamente, uma altíssima relação entre a quantidade de livros em casa e o desempenho escolar. Há uma diferença gritante numa família que tem pais de nível escolar primário e numa cujos pais têm nível superior. Se naquela casa de nível primário houver 500 livros durante todo o período escolar da criança e uma biblioteca para ela pegar livros, essa criança tem condições de chegar no mesmo desempenho acadêmico daquela que é filha de pais universitários. Então, a presença física do livro e seu uso significam um instrumento poderosíssimo para a preparação do indivíduo para esse desafio da escola, que, de certa maneira, também é um desafio de se preparar para a vida.
O que se sabe é que pessoas inoculadas por esse vírus da leitura jamais vão perdê-lo. E que se seu filho tornou-se um leitor vidrado, dificilmente ele vai entrar pelo descaminho na adolescência e abandonar os livros.

Isso também vale para os livros não-literários?

R) Até aqui eu estava falando da leitura em geral. Mas você abre aqui a oportunidade de tratar dessa questão central, que é a função da escola. A função central da escola é ensinar a ler e a escrever, e é verdade. E ler no sentido genérico da palavra, ler o livro e o que está no livro. Ou seja, a escola tem a função central de ensinar a criança estratégias de leitura, ou seja, a compreensão do texto. E aí há uma diferença enorme entre a contribuição do texto literário, que abre o leitor para a sensibilidade, para a experiência estética, para o prazer sensorial, para a imaginação. Já o livro informativo, descritivo, que é o livro típico da escola, mais comum na vida, dá a informação que você tem na vida, no jornal, sobre a lei que tem que ser aprendida, a normativa disso ou daquilo. A estrutura do texto não literário, e o vocabulário do texto não literário, é muito maior. Na língua portuguesa, você tem milhões de vocábulos, hoje. Shakespeare, que é o autor mais prolífico, usou 16 mil palavras. Qualquer área técnica tem, hoje, centenas de milhares de palavras. Então, o livro informativo – o livro descritivo, o livro técnico – é fundamental para a formação do intelecto da pessoa, e é muito importante que a escola, o professor e o pai também levem a criança a ler esse tipo de livro. As crianças gostam muito, e naturalmente, de livros infantis sobre animais. Mesmo nos ambientes urbanos mais desenvolvidos do mundo, esta é uma herança nossa. As crianças das gerações atuais, por exemplo, são vidradas em dinossauros e pré-história, e esses livros são fundamentais para desenvolver o vocabulário e o conhecimento do mundo, que nem sempre é trazido apenas no livro literário. Esse balanço é importante! Mas, além desse balanço, é importante ensinar a ler e mostrar como se ler um livro, as estratégias para decifrar um texto e entender a estrutura de um texto, sua estrutura sintática, os elementos de coesão, os elementos que dão coerência a um texto, e a forma mais profunda da leitura, que é a escrita. E o que que é a escrita? A escrita é a minha forma de ler, a minha resposta à leitura. Essa é a forma mais sofisticada, mais profunda, e essa é a função da escola. E o livro é um forte instrumento para isso.

Para desenvolver o gosto pela leitura que a gente faz se a gente usa na literatura ficção de uma maneira geral. A pergunta não é um tanto faz se usa literatura e ou a ficção, de uma maneira geral...

R) Isso é um pouco como uma investigação policial: você só precisa seguir o dinheiro e o modo do crime... Tem que seguir a criança! Em literatura, não adianta querer forçar e dar o seu repertório. O ideal é você oferecer um menu bastante variado de leituras e ver o que ela gosta. ‘Que tal você que já leu isso, por que não ler aquilo?’ É preciso sentir os movimentos da criança e perceber os tipos de livros e autores, comparar e mostrar outras possibilidades. E a melhor forma de fazer isso é dar o exemplo. É fazer como naquela história do Ziraldo sobre a professora muito maluquinha: ‘Olha aqui, que lindo, que livro maravilhoso que estou lendo...’ Aí não há criança que resista à tentação de ler aquele livro... Então, é seguir a criança, entender os interesses dela, e a partir desses interesses, ir ampliando o menu, a diversidade de tipos, gêneros etc.

Quando a criança chega aos 10 anos, qual a melhor estratégia para professores e bibliotecários terem sucesso em seus trabalhos?

R) Aqui há várias linhas para a gente trilhar. Uma delas é a questão física da leitura. Eu fui alfabetizado – e ser alfabetizado é como aprender a andar! Quando a criança aprende a andar é uma maravilha, pois ela adquire independência. Mas é um horror porque, assim como ela pode andar, ela passar a perceber que a mãe também pode andar e... ir embora. E isso cria a angústia da separação. Na hora em que eu aprendo a ler, o pai para de ler comigo, a mãe para de ler comigo, e isso é terrível. Então, pai e mãe, professor ou bibliotecária: é importante continuar a ler para a criança, porque mal ela acabou de aprender a ler sozinha o que ela consegue é tão somente ler um texto muito simples, e não um daqueles textos maravilhosos do Peter Pan ou do Pinóquio... Então, tem que continuar a ler livros bons, livros com vocabulário muito além, com palavras e frases muito maiores para ela poder fluir (agora que ela já tem intelecto mais envolvido) e fazer leituras mais aprofundadas. E, ao mesmo tempo, trazer a ela um repertório de livros mais simples, que ela consiga ler, e, progressivamente, será capaz de ler sozinha. Essa separação (sabe ler e ler sozinha) é um castigo para a criança, que pensa que era tão bom quando o pai lia na cama com ela. Agora, que é alfabetizada, é punida por isso. Então, por favor, vamos dar continuidade, na biblioteca, na escola, em casa e em todo lugar, à leitura, e não abandonar a criança. Vamos dar a ela um repertório mais variado e um livro mais complicado e quando ela tiver dificuldade, vamos ajudar essa criança, e continuar a ler com ela. O professor precisa entender a capacidade da criança e desenvolver estratégias de fluência de leitura, algo abandonado pela escola. É preciso desenvolver na escola e em casa técnicas e instrumentos que ajudem a criança a dominar a leitura com maior fluência: velocidade, ler sem erros e ler com prosódia. Instrumento mais poderoso é o exemplo, a modelagem. Ela olha como os adultos leem, repete, lê em grupo. É preciso escolher bem os livros adequados para cada nível de dificuldade. Temos aqui diferentes estratégias para os diferentes momentos, mas sempre vejo que o afetivo, o emocional, a relação pessoal, é o grande intermediário entre a criança e o livro. Não há substituto para o pai, o professor, o bibliotecário ou o orientador da leitura.

Na hora da escolha do livro, o que se deve levar em consideração?

R) A variedade. Obviamente, eu tenho um viés, pois penso que há bons livros, livros menos bons e livros ruins. Além do guia dos 600 livros publicado pelo instituto, há os clássicos da literatura, dos 4 aos 14 anos, com maior valor literário e até apresentação física melhor. Eu sempre procuro, nas escolas em que atuo ou nas referências que eu faço como consultor, escolher livros por critérios que posso justificar: qualidade técnica do livro, o cuidado no preparo da obra, a qualidade visual, a qualidade do autor e a qualidade do texto. Mas, mais importante do que a qualidade do livro, é a criança ler esse livro. Se ela gosta de gibi, vamos partir do gibi para tê-la como leitora e, então, trazer para ela variedade e bom gosto. Isso sempre poderá ser ofertado a ela, e não pelo livro, mas sim pelo seu exemplo, ao tirar aquilo que você tira do livro e colocar no coração e na cabeça da criança.

Estratégias como levar as crianças ao museu, a uma exposição ajuda?

R) Mencionei, antes, o livro e a a transição comum entre o mundo e a leitura. Se vamos ao museu, podemos, antes, olhar na internet e ter as informações para preparar a visita, que é tão ou mais importante do que a própria visita. ‘O que você acha? O que vamos olhar?’ E, durante a visita, de novo, é importante a forma e a modelagem do professor ou do adulto que acompanha a criança, como eles veem e referenciam a criança e fazem a intermediação entre um objeto de arte como uma escultura e o dia a dia daquela criança. Na volta, ele pode estimular releituras e a escrever para que cada um afaça sua própria leitura escrita dessa viagem. Então, tudo isso é o livro e a leitura em suas diversas formas, desde o preparo e a fruição do momento até a reflexão posterior. Todas essas etapas são fundamentais no processo de formação do leitor crítico do mundo e do livro.

Estudos no Brasil como Retratos da Leitura no Brasil mostram que as pessoas que, hoje, gostam de ler, tiveram pais que liam para elas ou as presenteavam com livros. Qual dica que o senhor pode dar aos pais? Serve qualquer livro ou há que se ter algum cuidado especial?

R) Eu só dou livro de presente! Eu sou muito egoísta quando eu vou comprar um livro e sempre me pergunto: ‘Será que eu vou gostar desse livro?’, ‘Eu gostaria de ler esse livro?’, ‘Eu teria gostado desse livro quando era da idade dessa criança?’. Então, primeiro eu penso muito se eu gosto, e, depois, eu penso na criança, em como que ela é, do que será que ela gosta e o que ela pode querer. Procuro dar o que vai surpreender, algo que, possivelmente, ainda ela não viu dentro do repertório das coisas que ela sabe. Só aí entra a questão do critério de gosto: como eu disse antes, deve ser de um bom autor, um livro bem feito, bem diagramado, bonito, de boa aparência, que seja bem escrito, bem ilustrado. Deve procurar coisas de qualidade, de conteúdo e de forma, e, na entrega do livro, não se trata de algo para, simplesmente, colocar numa caixa e entregar. Precisa de alguma solenidade, como dizer: ‘Trouxe o livro para você. Quando for ler, me chama’. Tem que ter um ritual. ‘Não é um objeto qualquer esse. Será um momento importante! Então, me manda um retrato com você lendo com seu pai, sua mãe...’ Tem que haver um monitoramento pois esse não é um objeto físico qualquer. Você está dando uma joia. É como você presentear com uma bola que adora futebol. Mas só que é um livro...

O que a pesquisa feita com famílias de baixa renda em Boa Vista revelou?

R) Essa pesquisa foi feita com pais de um programa do Bolsa Família. Esses pais tinham direito à creche para seus filhos, só que as filas eram grandes e muitos não conseguiam. Então, fizemos um programa que incluía o treinamento dos pais para que lessem para os filhos, tanto os que tinham filhos na creche quanto para os que não tinham. Eram sessões a cada três semanas nas quais os técnicos faziam a leitura ensinavam os pais também a fazerem e filmavam e discutiam como fazer. Depois, esses pais levavam livros emprestados para casa e assumiam o compromisso de ler determinada quantidade de livros nesse período. Os próprios pais tomaram a iniciativa de criar grupos para trocar mensagens no WhatsApp postando textos sobre como estavam lendo. Ao final de três meses, fizemos o pós-teste comparando várias dimensões, o vocabulário, a sintaxe e várias outras dimensões e tivemos resultados muito importantes quanto ao vocabulário e o desenvolvimento da linguagem. Mas o mais impressionante foi o efeito colateral que observamos: a diminuição da violência doméstica. Analisamos os dados para tentar interpretar isso e o resultado está sendo publicado em um artigo numa publicação voltada à pediatria nos Estados Unidos. A interpretação é que os pais adquiriram um novo instrumento de comunicação com as crianças e já não precisam mais usar tanto a mão e o tapa: podem usar a palavra e a conversa na negociação como forma de resolução de problemas. Então, a gente ensinava não apenas a ler, mas também a fazer essa conexão durante todo o tempo com o mundo, e não só a questão da leitura, mas também da linguagem como instrumento de comunicação entre as pessoas. O livro é um instrumento de desenvolvimento da linguagem e a linguagem é essa forma humana de nos entender, e, às vezes, de nos desentender também...

Se o senhor tiver que um único conselho ou dica para o professor que trabalha com as crianças na faixa da pós-alfabetização, o que ele não pode deixar de fazer em momento nenhum?

R) Ler todo dia, e muito bem, para as suas crianças...

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