Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

17 de dezembro de 2017

Projeto de estudante e amigos quer 'matar fome' de leitura

Ronaldo Ruiz Galdino - Folha da Região - 12/05/2017

Uma geladeira sempre aberta para quem tem fome de leitura. Essa é proposta do Grave Coletivo de Rio das Ostras, no Rio de Janeiro, que tem entre seus líderes o bilaquense Júlio Benedito, de 22 anos, que foi para a cidade fluminense estudar Produção Cultural, onde acabou conhecendo os colegas com quem criaria o grupo. Segundo Benedito, a intenção é trazer o projeto para Bilac e Araçatuba.

Ele contou que se mudou para Rio das Ostras em agosto do ano passado, onde conheceu Wesley Guimarães, que é de Niterói (RJ), e Frederico Santana, que veio de Itajubá (MG). Em meados de novembro do ano passado, eles decidiram fundar o Grave Coletivo, voltado para artes urbanas, até como forma de facilitar o trabalho acadêmico.

Foi então que Guimarães recebeu a doação de cem livros. Como a biblioteca local não tinha mais condições de receber obras, eles tiveram a ideia de reaproveitar geladeiras para incentivar a leitura, além de servir como uma forma de homenagear grandes nomes da cultura urbana. Para cada geladeira, foi escolhido um grafiteiro para fazer o desenho do homenageado.

De acordo com Santana, já foram fixadas três geladeiras na cidade de Rio das Ostras. Uma delas homenageou o grupo de rap Síntese. As outras duas foram estampadas com as imagens do rapper Mc Marechal e da escritora Carolina Maria de Jesus. Cada uma recebeu cerca de 40 livros.

DIVERSIDADE

Conforme Benedito, as geladeiras são colocadas próximas a quadras poliesportivas e escolas para despertar a curiosidade das pessoas que passam por esses locais, principalmente, a de crianças e adolescentes. Ele disse que as geladeiras são abastecidas com obras para diversos gostos.

Existem nelas desde livros obrigatórios em vestibulares, como os clássicos do escritor português José Saramago, até best-sellers de mistério da escritora Agatha Christie e romances do brasileiro Paulo Coelho. Além dessas obras, quem se aventurar em abrir a porta dessas geladeiras vai encontrar livros religiosos, histórias em quadrinhos e obras técnicas.

Guimarães assinalou que a geladeira fica aberta 24 horas por dia e que a pessoa pode pegar o livro como empréstimo, aquisição e também fazer doações. "O ideal é fazer uma troca para sempre haver 'alimento'. Temos ainda livros para abastecer as geladeiras, mas vai chegar uma hora em que a própria população vai ter que manter as geladeiras cheias", afirmou o integrante do Grave Coletivo.

EXPANSÃO

Segundo Benedito, o objetivo do projeto é levar a leitura para todas as pessoas. "Vivemos tempos sombrios e a leitura salva. Esperamos que a iniciativa seja um pontapé para que tenhamos bons leitores e para que surjam bons escritores", afirmou o bilaquense. O Grave Coletivo pensa ainda em expandir o projeto para outros lugares.

De acordo com Benedito, já foram doadas três geladeiras para o coletivo depois que o projeto ficou conhecido na cidade. A ideia é que a proposta alcance outras cidades, em outros estados. "Pensamos em levar as geladeiras para as nossas cidades. Eu para Bilac e Araçatuba e o Guimarães e o Santana para Niterói e Itajubá", comentou Benedito, que já está em contato com um coletivo de Araçatuba.

O grupo pensa em buscar agentes culturais em outros municípios para desenvolver a iniciativa, assim como parcerias. Na cidade onde o projeto está nascendo, as bibliotecas comunitárias recebem incentivo da Prefeitura e da Fundação Rio das Ostras de Cultura. Outro plano do coletivo é criar um festival de literatura na cidade.

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