Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

21 de novembro de 2017

Conheça como se faz um livro

Paulo Tedesco

O sucesso de um bom livro nem sempre, ou até raramente, está ligado somente ao conteúdo, ao sentido do que quer apontar. Para quem se autopublica, sem qualquer dúvida, surgem algumas perguntas: mas depois que redigi as primeiras versões do meu livro, devo assim mesmo publicar diretamente? Será que contratando uma editora, por vezes nada barata, terei o resultado no meu texto? E será que existe quem possa ajudar? Ou melhor, será que meu texto está pronto?
Duas das mais importantes entre tantas fundamentais etapas quando se faz um livro, são justamente a revisão e a preparação dos originais, ao que um leitor atento, com rapidez, descobre se o livro passou ou não por esse processo. É nessa hora que recordo de meu mestre em escrita criativa, que repetia que a luta contra a lei da gravidade era o principal desafio de um autor. O que ele não dizia, porém, é que essa luta não pertencia somente a quem escreve. Isso me obrigou a aduzir que essa titânica batalha pedia mais gente: um bom revisor, um copidesque, um, dois, ou mais leitores críticos, e outros tantos poderiam e nem deveriam ser esquecidos.
E por isso que a “ideia iluminada” ou simplesmente a tal “inspiração” se reduzem a, talvez, 10% de um bom livro. Essa coisa boba de dom, de iluminação, é tão enganadora que hoje mais e mais gente que não lê, ou lê muito, mas muito pouco, de repente se acha autor, ou escritor, e se atira a publicar em KDP da Amazon ou outros menos votados. O que cria esse curioso fenômeno de termos mais autores do que leitores, sendo que muitos desses autores dificilmente voltam a publicar novamente.
E como evitar? Como enfrentar, como autor consequente, a luta por fazer com que a lei da gravidade não se imponha e o leitor acabe deixando o livro cair de sua mão? Ora, tem que começar a estudar pelo melhor para seu livro. E o melhor passa por encontrar gente qualificada que possa contribuir pelos dois lados: pela parte do conteúdo e de sua validade, e pela parte editorial, que se traduz na qualidade das revisões e no projeto editorial como um todo.
O curioso é que tudo isso, hoje, talvez não custe mais do que dedicação e paciência, porque há como se levar bons projetos adiante sem se valer de fortunas ou de um mecenas, a exemplo do que foi muito comum no mundo das artes plásticas. Existem, hoje, não só ferramentas como existem cadastros de profissionais, como aqui no PublishNews, que podem nos ajudar a fazer a diferença.
Mas antes de qualquer decisão, o aviso sem mantém, gritante: estudar é fundamental. Pesquise paulatinamente cada etapa na feitura de um livro. Lute para descobrir o que é um copidesque, quem são os revisores, qual o mais indicado para o tipo de livro que se escreve; que tipo de profissional pode fazer a diferença de acordo com o conteúdo, e também se um editor pode, de fato, ajudar.

(Publishnews - 29/08/2017)

*

Paulo Tedesco é escritor e consultor em projetos editoriais. É autor dos livros Quem tem medo do Tio Sam? Fumprocultura de Caxias do Sul, 2004); Contos da mais-valia & outras taxas (Dublinense, 2010) e Livros: um guia para autores (Buqui, 2015). Desenvolveu e ministra o curso de Processos Editorais na PUCRS e coordena o www.consultoreditorial.com.br atendendo autores e editores. Pode ser acompanhado pelo seu site, pelo Facebook ou pelo Twitter.

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