Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

18 de dezembro de 2017

Democracia e literatura em debate na Bienal do Livro

Diário de Pernambuco - 04/10/2017

Palestras, oficinas, bate-papos, apresentações infantis e culturais estão na programação da 11ª Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, que será realizada no Pavilhão do Centro de Convenções, em Olinda, de sexta-feira até o dia 15 de outubro. Vão participar nomes como o filósofo Vladimir Safatle, os escritores Allan da Rosa, Ronaldo Correia de Brito, Maria Valéria Rezende, o tradutor Caetano Galindo, a ensaísta Walnice Nogueira Galvão e a historiadora Lilia Schwarcz.

Esta edição terá como tema Literatura, democracia & liberdade e homenageará os escritores Fernando Monteiro e Lima Barreto. Uma das novidades será a plataforma Bienal Geek, com participação de autores como André Balaio e Roberto Beltrão, idealizadores do projeto O Recife Assombrado, o blogueiro Carlos Ruas - autor do livro Um sábado qualquer, e a editora da Marvel Comics Carol Pimentel. O novo espaço contará com painéis, quiz, entrevistas, jogos, exposições, concurso de cosplay e sala temática de Harry Potter.

Segundo o diretor da Cia. de Eventos e responsável pela produção da feira, Rogério Robalinho, o momento de crise no país e a quase inexistência de patrocínios fizeram com que houvesse uma cobrança para acesso à Bienal, antes gratuita. “Cobramos um valor simbólico como uma forma de conseguir entregar à sociedade um evento gigantesco com uma programação de ponta, pois não existe almoço de graça. Muito menos ótimos almoços como a Bienal pernambucana, que é muito elaborada e consistente, tem custos muito altos”.

Serviço

11ª Bienal Internacional do Livro de Pernambuco
Quando: de sexta-feira a 15 de outubro, das 10h às 22h
Onde: Centro de Convenções de Pernambuco (Avenida Prof. Andrade Bezerra, s/n, Complexo de Salgadinho, Olinda)
Ingressos: R$ 10, R$ 7 (social, com 1kg de alimento não perecível) e R$ 5 (meia). Gratuito para crianças de até 12 anos, alunos da rede pública de ensino com camisa ou uniforme do sistema de ensino, excursão escolar uniformizada, professores, escritores associados da UBE, policial civil e militar e Corpo de Bombeiros.
Informações: bienalpernambuco.com

Destaques

NOSSOS ÍDOLOS
Na mesa De futebol, poesias e sonhos, no domingo, o jornalista Jotabê de Medeiros, autor do livro Belchior. apenas um rapaz latino-americano, conversa com Paulo César Guimarães, autor da biografia sobre Sandro Moreyra. Eles fazem reflexão sobre sonhos e ídolos. Mediação do jornalista Ricardo Antunes.

HOMENAGEADO
Antropóloga, historiadora e professora de antropologia da Universidade de São Paulo, Lilia Moritz Schwarcz autografa, no domingo, Lima Barreto: Triste visionário, e conversa sobre o biografado. Na obra, Lilia busca compreender a trajetória de Lima Barreto a partir da questão racial.

QUADRINHOS
O designer carioca e quadrinista Carlos Ruas, autor de Um sábado qualquer, combina irreverência e humor nas HQs para falar sobre religião. Na programação da Bienal, ele conversa com o público e autografa seu livro. Será na próxima terça-feira. Mediação do escritor Sidney Nicéas.

DEMOCRACIA
O filósofo Vladimir Safatle, professor da Universidade de São Paulo, ministra no dia 11 a palestra O fim da democracia representativa e a emergência da soberania popular. Ele é autor de livros como Quando as ruas queimam: Manifesto pela emergência e O circuito dos afetos: Corpos políticos, desamparo e o fim do indivíduo.

Entrevista - Rogério Robalinho // organizador da Bienal do Livro

Em que medida o tema escolhido, Literatura, democracia e liberdade, dialoga com o momento político pelo qual passa o Brasil?
Não há sentido em se pensar a programação de um evento como a Bienal (ou de qualquer grande evento que seja nos dias que seguem) dissociado do real, do que vemos nos noticiários... Nosso país vive um momento bem particular da sua história. Seja você de direita ou de esquerda, a noção de democracia é o que está em jogo no Brasil, hoje. Em qualquer manifestação que vemos, em qualquer novo escândalo que aparece nos plantões da mídia, a ideia de democracia é a primeira a ser levantada. E a própria noção de República no país está em jogo. A programação da Bienal foi pensada para refletir esse período.

Como surgiu a decisão de atender ao público “geek” nesta edição? A experiência da CCXP em Pernambuco contribuiu?
Se o século 20 foi o da imagem (por conta do cinema), o século 21 é o século da palavra. Passamos boa parte do nosso dia na frente de telas, digitando, enviando mensagens, acessando conteúdos. O público jovem não está distante da palavra, talvez esteja distante da literatura, mas a palavra (e quando digo palavra me refiro também a todos os signos que permeiam nossa comunicação hoje) é sua mediação principal com o mundo. A plataforma geek é nossa aposta nesse público, de conseguir trazer para a Bienal um montante de pessoas que já está cercado pela palavra o tempo todo.

O que representa a escolha de Fernando Monteiro e de Lima Barreto como homenageados do evento?
Fernando Monteiro é um dos principais autores do Brasil, com uma obra potente, que envolve tanto prosa quanto poesia. Além de ser um homem que tem uma visão muito aguda do real, de onde estamos pisando. E isso é importantíssimo. Já o Lima Barreto, quando anunciamos o seu nome em 2015, a Flip ainda não havia decidido fazer a sua homenagem (o que fez este ano de forma magistral com a curadoria da jornalista Josélia Aguiar). Em 2015, já vivíamos um prelúdio muito concreto da crise que hoje enfrentamos, dessa crise do que implica a República brasileira. E poucos falaram tão bem do que é ser brasileiro quanto o Lima Barreto. Ele e Machado de Assis alfinetaram (de formas diversas) o “ser brasileiro” e suas instituições.

Que condições levaram a Bienal a começar a cobrar ingressos?
Na verdade a cobrança de ingressos é parcial. O nosso compromisso com os estudantes e os professores permanece, por exemplo. O aluno de escola pública com farda, para você ter uma ideia, não paga ingresso. Estamos vivendo uma crise muito grande no país, em que os patrocínios são quase inexistentes. A Flip deste ano, por exemplo, teve o menor orçamento da sua história. Não estamos dissociados desse quadro. Cobramos um valor simbólico como uma forma de conseguir entregar à sociedade um evento gigantesco com uma programação de ponta, pois não existe almoço de graça. Muito menos ótimos almoços como a Bienal pernambucana, que é muito elaborada e consistente, tem custos muito altos.

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