Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

18 de dezembro de 2017

Nipo-britânico Kazuo Ishiguro ganha Nobel de Literatura de 2017

Marcia Maria Cruz - UAI - 05/10/2017

A Academia Sueca anunciou o vencedor do Nobel de Literatura de 2017 , na manhã desta quinta (5/10), em evento em Estocolmo, na Suécia. O ganhador foi o escritor nipo-britânico Kazuo Ishiguro, de 62 anos. A academia destacou que a obra versa sobre ‘memória, passagem do tempo e desilusão pessoal’.

Kazuo nasceu em Nagasaki, no Japão, em 1954, mas saiu de lá muito cedo. Aos cinco anos foi para a Inglaterra, onde se radicou. Os livros são escritos em inglês: ‘Os vestígios do dia’ (1989) e a ficção científica ‘Não me abandone jamais’ (2005). As obras foram adaptadas para o cinema. Vestígio foi estrelado pelo ator Anthony Hopkins.

No Brasil, Kazuo é editado pela Companhia das Letras. A editora lançou também ‘Noturnos’ e ‘Quando éramos órfãos’. O mais recente é ‘O gigante enterrado’ (2015). A historiadora, antropóloga e professora da Universidade de Sâo Paulo, Lilia Schwarcz comemorou a indicação de Kazuo. “Ishiguro é uma pessoa sensível, erudita, bem humorada, louco por futebol”, afirmou.

Ela destaca que nos livros ‘Vestígios do dia’ e o ‘Gigante adormecido’, Kazuo mistura prosa refinada e muita sensibilidade. ‘O leitor é conduzido pela mão segura do escritor. As reflexões que ele acaba distilando, sobre tempo , envelhecimento, memória. São de uma imensa profundidade e atualidade. Sua ficção parece, sob essa perspectiva, como que infinda. Como são sempre infindos, ao menos aos olhos do leitor, todos os bons livros.”

A curadora da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Josélia Aguiar lembrou que entre os nomes de escritores nipônicos o mais cotado era Haruki Murakami. “Nas bolsas de apostas, o Murakami estava muito acima do Ishiguro. Então de certo modo sim, foi uma surpresa”, afirma.

Ela lembra que, depois de premiar a bielo-russa Svetlana Alexievich (2015) e o compositor Bob Dylan (2016), o Nobel volta à literatura em seu sentido mais estabelecido. “Ele não é o tipo de surpresa que foi, por exemplo, a Svetlana, que nem era traduzida. O Ishiguro nasceu no Japão, mas desde criança vive com a família na Inglaterra.”.

Ishiguro foi várias vezes finalista do Man Booker Prize, inclusive venceu uma vez. “É um autor internacional que escreve em inglês, é bem traduzido e teve obra adaptada para o cinema.” Josélia ainda destaca o fato Ishiguro ter em sua obra elementos de ficção científica.

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