Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

23 de novembro de 2017

Biblioteca Pública Estadual de AL abriga 70 mil exemplares de livros e muita história

Patrícia Mendonça - Portal Gazetaweb.com - 12/11/2017

O histórico prédio que data os quase 200 anos de Alagoas, construído em meados de 1840, abriga a Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos, a maior do estado. Um palacete de 54 cômodos que guarda mais de 70 mil exemplares de livros. O equipamento cultural, mantido pelo Governo do Estado, oferece à população alagoana inúmeras possibilidades de obtenção de conhecimento e cultura. No espaço, é possível ter contato com diversos exemplares de livros, entre eles obras raras, só possíveis de serem encontradas lá, bem como jornais impressos que circularam no estado alagoano desde os anos 50, além de obras de arte dos mais diversos portes.

Atualmente, a biblioteca recebe cerca de 150 pessoas por dia, entre visitantes, pesquisadores e grupos. As atividades desenvolvidas no ambiente giram em torno do conhecimento cultural. Há um calendário de atividades a serem desenvolvidas semanalmente, como Bibliotour, Fonoteca, Cinemateca, Hora do Conto, Recital de Poesia e Cordel e Prosa. As atividades são desenvolvidas pelos estagiários da instituição, como também por artistas, como é o caso do Cordel e Prosa que, com frequência, é desenvolvido pelo pensador popular Jorge Calheiros, cordelista alagoano que vai à biblioteca recitar seus cordéis e conversar com grupos sobre suas obras.

"Há 10 anos eu venho com frequência à biblioteca e dou um apoio sobre a literatura de cordel. Todas as quartas-feiras estou aqui palestrando sobre o que amo fazer", conta o cordelista Jorge Calheiros sobre a sua contribuição nas atividades culturais da biblioteca. Quando perguntado sobre a sensação de estar no espaço de leitura, contribuindo com o conhecimento de cultura popular, o poeta responde: "É incomparável a satisfação de um escritor em ver o público apoiar o trabalho dele e quando nos sentimos valorizados pelo que fazemos é gratificante mais ainda. É de rir o rosto e o coração", disse o rimador.

Apenas em setembro deste ano passou a ser possível o serviço de empréstimo de livro na Biblioteca Pública. Para isso, o leitor deve fazer um cadastro munido do CPF, RG e de um comprovante de residência atualizado. O empréstimo só é concedido se o leitor for residente em Alagoas. O serviço é gratuito e o livro deve ser devolvido após oito dias, havendo a possibilidade de prorrogação.

Na biblioteca, há áreas direcionadas a estudos específicos, como o Ubuntu - voltado à literatura negra -, Acervo Braile, Obras Raras, Acervo Alagoano, Acervo de Jornais Impressos Alagoanos, assim como o Telecentro, que serve para pesquisas na internet.

Outro serviço é o Troca de Livros, que atualmente conta com mais de 300 exemplares à disposição da população para que haja trocas de obras. O programa se sustenta com doações e pelo próprio sistema, tendo em vista que cada livro retirado da estante é substituído por outro. "Você traz um livro e pode trocar por outro. Claro que a nossa recepção vai avaliar o livro, para ver a viabilidade da recepção da obra, no intuito de evitar com que troca deixe de acontecer. Não recebemos livros didáticos", afirma Mira Dantas, coordenadora da biblioteca.

Na biblioteca, há ainda espaços destinados às crianças, cômodos lúdicos pelo colorido, livros cheios de animações, brinquedos que estimulam o aprendizado, além de material para que as crianças representem sua criatividade. "Aqui a gente faz contação de histórias para bebês e crianças. Mas deixamos também os pais livres para ficarem com seus filhos. Caso solicitem algum recurso, nós damos um suporte. Temos os brinquedos pedagógicos coloridos, de encaixe, com formas geométricas, jogos da memória e a família terapeuta que ressalta as diferenças, onde há o negro, o idoso, o deficiente", detalha Mira.

Outro ponto importante a ser destacado é a acessibilidade. O prédio conta com elevador para cadeirantes e obras em braile. "Muitos deficientes visuais vêm do interior para pegar livros em braile emprestado. Para estes, há uma negociação no tempo de devolução da obra. A dificuldade que eles têm é externa, pois aqui na biblioteca os recebemos muito bem e o espaço é completamente acessível" conta a coordenadora.

Acervo para Pesquisa

A biblioteca é palco de pesquisadores devido à disposição das inúmeras obras, e em especial, ao acervo de Livros Raros, que abriga obras regionais, nacionais e até internacionais. Como é caso da coleção de livros mais antiga do local, a "Da Ásia", de 1778, que conta com nove livros, coleção completa, do escritor português Diogo Couto. Neles, o autor escreveu sobre navegações portuguesas.

"O acervo que está disponível no arquivo de obras raras da biblioteca é extraordinário! O local reúne livros sobre história, economia, sociologia, medicina e literatura de gêneros diversos. Parte significativa desses livros não é encontrada no Arquivo Público do estado ou no Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas. O arquivo está preservado, organizado e cadastrado. Tem utilidade importante para os pesquisadores que solicitarem acesso ao acervo das obras raras", conta o escritor e pesquisador Rosalvo Acioli, que tem a oportunidade de encontrar bases para a realização de seus livros. Atualmente, Rosalvo pesquisa sobre saúde pública em Alagoas.

O pesquisador ainda cita os cuidados que deve haver com as obras raras. "Nós temos algumas regras a cumprir, como a utilização da luvas, porque a transpiração das mãos afeta o papel e o suor em contato com o papel oxida as folhas. A máscara eventualmente é utilizada quando o livro é muito antigo, pela proteção do pesquisador, já que há a possibilidade de alergia e problemas respiratório por conta dos fungos e ácaros que esses livros comumente têm", explica Rosalvo Acioli.

Graciliano Ramos

A Biblioteca Pública Estadual foi criada em 1865, inicialmente apenas como Gabinete de Leitura. Na época, ela ficava em outro prédio, localizado também no Centro da Capital. Foi no ano de 2013 que recebeu o nome de Biblioteca Pública Estadual Graciliano Ramos.

A homenagem foi decidida pelas grandes contribuições do escritor alagoano que tanto representa o Estado no Brasil e no exterior.

Obras de arte

Memórias da história

As obras de arte que estão expostas na biblioteca são da Secretaria do Estado da Cultura (Secult). Em sua maioria, são obras de artistas plásticos alagoanos que ressaltam a cultura do Estado. É possível ver representação do pastoril, guerreiro, reisado, entre outras manifestações do folclore. As obras estão distribuídas nos mais diversos locais.

"A biblioteca não é um espaço em que há apenas livros, é um espaço vivo em que há conhecimento e esse conhecimento está em inúmeros suportes, como o papel, a tela, a madeira e até o on-line", explica a coordenadora.

O palacete onde está instalado a biblioteca pública foi construído por Antônio José de Mendonça, o Barão de Jaraguá. Na época, a construção foi feita devido a uma disputa política com o Barão de Atalaia, dono do Palácio onde atualmente está localizada a Associação Comercial de Maceió, no bairro do Jaraguá. Entre as disputas da época, estava a hospedagem do imperador Dom Pedro II e da esposa dele, a imperatriz D. Tereza Cristina e comitiva, quando chegaram a Alagoas por volta de 1850. Foi no prédio da biblioteca que aconteceu a aclamada hospedagem.

"Sabia-se que Dom Pedro II viria para a inauguração da Catedral de Maceió, e ele teria que se hospedar em um local próximo, então o Barão de Jaraguá acelerou a construção do prédio. A disputa foi tanta que este palacete é mais alto que o do Barão de Atalaia, para poder ter, igualmente, a visão da praia. Então, este palacete é um prédio que abriga muitas histórias de Alagoas e do Brasil", ressalta a coordenadora da biblioteca.

Funcionamento

A biblioteca funciona de segunda a sexta-feira, no horário das 9h às 17h. Agendamentos para visitas guiadas devem ser realizadas por meio do contato telefônico 3315-7877.

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