Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

21 de maio de 2018

Professora cria biblioteca itinerante que distribui livros para crianças na Nigéria

Extra - 01/02/2018

Cercada por uma série de crianças no popular distrito de Ifako, no coração de Lagos, capital da Nigéria, Funmi Ilori, psicóloga e ex-professora, pergunta a cerca de 15 crianças sentadas em pequenos bancos de plástico ao redor de uma van: “Os leitores se tornam o quê?”. As crianças respondem efusivamente: “Líderes!”.

Naquela tarde, a ex-professora desembarcava na Escola Primária de Bethel, onde dava continuidade ao seu projeto “I read” (“Eu leio”, em português), levando livros aos bairros pobres de Lagos em pequenas vans que ela mesmo dirige. Seus pequenos caminhões funcionam como bibliotecas reais: as crianças escolhem um livro que lerão em casa e entregarão na próxima semana, depois de completarem uma folha de leitura obrigatória.

Sade, uma garota de 9 anos, escolhe sua aventura favorita, mesmo já conhecendo a história de cor. “Ler é meu hobby”, revela a jovem. “Os livros me dão ideias e agradeço a eles, eu aprendo mais coisas.” Adinga, outra jovem leitora, escolheu “Bioenergy Insight”, uma revista sobre energia renovável. “Você tem certeza de que vai ler isso?”, perguntou um dos seus colegas. Ela ficou contrariada, largou a revista e, por fim, escolheu um quadrinho.

A diretora da escola visitada naquela tarde, Ruth Aderibigbe, admite que os aproximadamente 200 alunos da escola têm apenas livros didáticos à disposição, porque os “livros são caros”. Então, quando “I Read” chegou à rede escolar, há dois anos, ela comemorou a iniciativa: “As crianças fizeram grandes progressos na leitura”, diz a diretora.

Além das livrarias, “há bibliotecas funcionais, pelo menos em Lagos, mas muitas crianças não as usam”, afirma Ilori. “Você deve acompanhar as crianças desde muito cedo. A leitura é aprendida, mas, nas comunidades rurais, muitas crianças nunca tiveram um livro em suas mãos.”

A ex-professora iniciou um pequeno comércio de livros em 2003, caminhando “de casa em casa com uma cesta cheia de romances” e fazendo empréstimos em troca de algumas centenas de nairas (moeda local). “Mas percebi que os adultos não têm mais interesse pela leitura”, conta.

Em 2013, ela mostrou seu projeto de biblioteca móvel para o “You win together”, uma bolsa financiada pelo governo nigeriano para encorajar iniciativas de desenvolvimento. Vencedora, ela ganhou 10 milhões de nairas, o equivalente a R$ 190 mil, e comprou um caminhão e uma pequena van.

Hoje, graças à bolsa de estudos e a alguns patrocinadores, ela conseguiu contratar treze funcionários, comprar 1.900 livros e quatro vans. Ela visita entre quatro e seis escolas todos os dias, e organiza oficinas de leitura com voluntários nas noites e fins de semana nas favelas para crianças que estão fora da escola.

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