Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

21 de julho de 2018

Empoderamento feminino na biblioteca

blog.crb6.org.br 21/03/2018

O 11º Prêmio para Inovação nas Bibliotecas Públicas EIFL teve uma vencedora brasileira. A Biblioteca Municipal Argentina Lopes Tristão, do município de Domingos Martins (ES), recebeu o prêmio por seu trabalho de empoderamento digital voltado para as mulheres, desenvolvido desde 2015.

O projeto teve início com a parceria firmada entre a biblioteca e a ONG Recode, organização que possui o objetivo de formar jovens autônomos, conscientes e habilitados para transformar o mundo com o uso da tecnologia. O recorte no empoderamento de mulheres veio de uma necessidade latente no estado. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Espírito Santo possui uma taxa de homicídio de 6,9 mortes para cada 100 mil mulheres. A situação é ainda mais grave quando se analisa os casos que envolvem mulheres negras: o estado lidera o ranking nacional, com 9,2 mortes para cada 100 mil.

Considerando essa questão e a ausência de capacitações voltadas para mulheres, foi criado o curso de alfabetização digital da biblioteca. Nesse primeiro momento, a ONG doou 10 computadores e uma plataforma de cursos digitais, que seriam utilizados durante as aulas. O projeto, porém, acabou remodelado para atender a um grupo específico de pessoas – as pacientes da Saúde Mental, em uma parceria com a Secretaria de Saúde do município.

“No decorrer de dois meses, observamos que o curso de informática foi além do planejado e se tornou um recurso terapêutico para essas mulheres”, conta Ana Maria da Silva (CRB-6/ES 680), responsável pelo projeto e pela biblioteca.

A psicóloga Solange Lucena, que acompanhava as pacientes, relatou que a parceria proporcionou a oportunidade de as mulheres conquistarem aprendizados diversos, inclusive em questões que elas não se julgavam capazes. “Para algumas foi difícil encarar o desafio, mas quando conseguiram se abrir para o novo perceberam o quanto eram capazes. Ao término do curso elas estavam mais confiantes e motivadas a dar continuidade aos estudos. Era visível a felicidade e um novo brilho no olhar de cada uma”.

Formação dos jovens
Além do empoderamento das mulheres, outra conquista do projeto foi a capacitação dos jovens que se tornaram professores do curso. O Centro de Integração Escola Empresa do Espírito Santo (CIEE) já atua no município de Domingos Martins há três anos com o programa Adolescente Aprendiz. Formado em sua maioria por jovens estudantes de classe baixa, eles foram treinados para ministrar as aulas e utilizar a tecnologia para mudar suas realidades.

A bibliotecária Ana Maria conta que, no início, todos ficaram apreensivos em colocar, juntos, 14 mulheres fragilizadas e 20 adolescentes. “Deu certo e foi lindo ver a sensibilidade dos jovens ao ministrar as aulas. Em alguns casos, eles seguravam as mãos das pacientes e as ajudavam a conduzir o mouse. Foi umas das ações mais emocionantes que eu pude testemunhar no meu local de trabalho.”

Premiação e planos futuros
O prêmio Inovação nas Bibliotecas Públicas é promovido pela Electronic Information for Libraries (EIFL), uma organização que trabalha junto às bibliotecas para promover o acesso ao conhecimento para o desenvolvimento sustentável das comunidades. Em 2017, a Biblioteca Municipal Argentina Lopes Tristão foi uma das vencedoras e trouxe para Domingo Santos o reconhecimento internacional e o prêmio de 1,5 mil dólares.

“Foi fantástico. É o resultado de um trabalho feito junto com a comunidade, prestando atenção nas demandas e trabalhando com ela para resolver um problema”, comemora Ana Maria. A premiação será utilizada para desdobrar o projeto, que agora entrará em uma nova fase.

Novas turmas serão abertas nos dias 26 e 27 de março, com aulas até novembro deste ano. Ao todo, 60 mulheres serão impactadas, com 20 vagas destinadas às pacientes da Saúde Mental e outras 40 para mulheres do município.

Mas Ana Maria quer ir além. O próximo passo será criar um programa de empoderamento de meninas, visando diminuir a violência doméstica no município. Para isso, será preciso trabalhar com as mães e utilizar todos os recursos possíveis para atingir essas crianças, como peças de teatro, cinema, conversas com mulheres destaques em suas áreas, defesa pessoal e, claro, a tecnologia. “É um projeto enorme, mas de baixo custo. Ainda está na fase de construção, estamos fazendo contato com possíveis parceiros”, conta.

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