Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

18 de junho de 2018

Como as bibliotecas estão se transformando digitalmente?

vivotech.com.br 18/04/2018

Antes de dormir, um livro: as linhas nos levam a outros conhecimentos, mundos, vidas, emoções… Você é desses? Está sempre com um livro no metrô ou no ônibus, enquanto faz um lanche? Aproveita o intervalo para ir à biblioteca mais próxima e buscar o título reservado antecipadamente pela internet? No século 21, é ótimo ver a transformação digital fomentando o hábito essencialmente humano da leitura. Bibliotecas modernas, públicas e sem custo disponibilizam de forma online o seu acervo, garantindo reserva e empréstimo muito ágeis. Impossível ficar sem ler!

Pouca leitura, poucos espaços
Brasileiros não são grandes leitores, e o fato se insere em um cenário de problemas na alfabetização, educação continuada e renda. Mais da metade da população brasileira se considera leitora, porém são lidos apenas 4,96 livros/ano per capita.

O consolo é a melhoria na última década. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura, do Instituto Pró-Livro, houve crescimento de 17% no número de leitores no Brasil entre 2011 e 2015. Isso significou cerca de 15 milhões de pessoas a mais lendo no país.

A análise é detalhadíssima, repleta de dados interessantes. Mostra também que 66% da população não frequentam bibliotecas de acesso público. E isso embora 55% saibam de sua existência e até as conheçam. Curiosidade: dois terços dos que costumam ir a bibliotecas públicas não são estudantes.

Vale ressaltar que, no Brasil, há cerca de 7.200 bibliotecas cadastradas no Ministério da Cultura. É pouco, pois significa uma biblioteca pública para cada 30 mil habitantes, em média. Na República Tcheca, que tem o melhor índice do mundo, a proporção é de 1 para cada 1.970 habitantes.

No Brasil, apesar de baixa, a taxa de leitura da população vem aumentando. Imagem: Shutterstock
Grandes bibliotecas são automatizadas
Como contraponto positivo, pode-se observar que grandes bibliotecas brasileiras incorporam constantemente os avanços da tecnologia eletrônica. Fichas bibliográficas formam bases de dados e a busca de títulos é facilmente realizada em consulta ao catálogo digital. Sistemas de gerenciamento (Pergamum e Sophia, entre outros), permitem consulta, empréstimo e reserva com cliques na tela do smartphone.

As melhores possuem WiFi e salas com tomadas para dispositivos eletrônicos. O livro em papel prossegue dominando, mas cercado pelas maravilhas do progresso.

Opções com livros ao alcance de todos
Onde você se enquadra nos índices de leitura? Para não engordar os negativos, nem ficar sem ler por causa do preço dos livros, trazemos abaixo opções de bibliotecas.

Há as abertas ao público em geral, outras atendem a nichos amplos, como dos trabalhadores em agências bancárias. Existem também as instaladas em instituições de ensino superior, com empréstimos aos estudantes. Mas mesmo essas permitem pesquisas e leituras em seus ambientes a quem não é aluno.

Biblioteca de São Paulo
Mora na capital paulista e gosta de literatura? Então, esta é para você! Inaugurada em 2010, a Biblioteca de São Paulo (BSP) funciona onde antes ficava o presídio Carandiru, na Zona Norte. Trabalha com a promoção do conhecimento e da cultura por meio da leitura. Além do acervo de 44 mil títulos de literatura brasileira e internacional, oferece cursos, oficinas e debates. Um agito só, até nos finais de semana!

A Biblioteca de São Paulo possui mais de 44 mil títulos. Há cabines de leitura infantojuvenis no piso térreo. Imagem: Divulgação / Governo de São Paulo
Na BSP, você consulta os títulos disponíveis pela internet. Também online, é possível renovar os empréstimos de livros, desde que eles não estejam reservados. Muito simples! Os sócios (eles são quase 28 mil!) podem sugerir a compra de itens que faltam nas prateleiras. As compras são semanais e a atualização do acervo recebe notas positivas. Na Feira do Livro de Londres 2018, foi uma das três finalistas no prêmio internacional do Prêmio Biblioteca do Ano. A distinção analisou acervo e inovação digital.

Biblioteca Nacional
Localizada no centro do Rio de Janeiro, a Biblioteca Nacional é hoje a maior de toda a América Latina. Junto com a chegada da Família Real ao Brasil, em 1808, vieram 60 mil títulos, originando a Real Biblioteca, seu primeiro nome. Hoje, são 9 milhões de itens (livros, manuscritos, documentos, jornais e fotografias), que a colocam entre as maiores do planeta.

Está em obras de restauração de sua fachada, a serem concluídas ainda em 2018. Mas prossegue funcionando, com apenas alguns setores para pesquisa de documentos impedidos para consulta.

A BN possui o projeto Biblioteca Acessível, para portadores de deficiência visual e idosos. Além de técnicos especializados, conta com:

Ampliadores de textos eletrônicos;
Leitores de livros autônomos em Braille;
Folheadores automáticos de livros;
Teclados e mouses especiais;
Impressoras Braille;
Programas para leitura de textos que fazem reconhecimento de voz.
Bibliotecas do Banco do Brasil
Quem trabalha no Banco do Brasil usufrui da rede composta pelas bibliotecas Gepes (Brasília), CCBB (RJ), além de oito setoriais. As de Brasília e Rio são consideradas modelo, modernas e bem equipadas. Os funcionários do BB de todo o país e seus dependentes podem solicitar livros por meio do Portal UniBB e os materiais chegam aos usuários via malote, nas agências do banco. As comunidades em geral podem consultar os livros nos locais. Juntas, as bibliotecas somam mais de 330 mil volumes e 178 mil títulos.

Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas da Bahia
Mantidas pela Fundação Pedro Calmon, sete bibliotecas públicas em Salvador e uma em Itaparica formam o complexo. A mais importante é a Biblioteca Central, em Salvador, também conhecida como Biblioteca de Barris, nome do bairro onde se localiza. A pesquisa sobre os títulos do acervo de todas é disponibilizado online.

Bibliotecas da PUCRS, Unisinos e Feevale
No Rio Grande do Sul, bibliotecas de universidades privadas são destaque, com livros sobre tudo, inclusive literatura:

PUCRS – Pontifícia Universidade Católica do RS, em Porto Alegre
Unisinos – Universidade do Vale do Rio dos Sinos, em São Leopoldo e Porto Alegre
Feevale – Federação de Estabelecimentos de Ensino Superior, em Novo Hamburgo
Nas três, o empréstimo e devolução dos livros acontecem sem nenhuma intervenção do bibliotecário ou atendente. O serviço é feito por máquinas com tecnologia RFID (identificação por rádio frequência), que reconhecem o livro quando passado no terminal. Sem filas e esperas por atendimento. Muito ágil mesmo! Inovações como essas igualmente beneficiam funcionários de bibliotecas, liberando-os de ações repetitivas, como a de manusear volume por volume para inventário.

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