Blog do Galeno Observatório do Livro e da Leitura

19 de setembro de 2017

Os livros na Mané Gaiola

Galeno Amorim

Faço este post direto de Sertãozinho, cidade onde vivi até a mocidade e onde vim participar, pela enésima vez, da Feira do Livro, da qual fui patrono em uma de suas primeiras edições. Vim, entre outras razões, para dar as boas vindas ao patrono de 2017, Ignácio de Loyola Brandão, escritor e amigo de muitas andanças por aí, na causa do livro e da leitura.

Em Sertãozinho, assim como em Ribeirão Preto, Porto Alegre e em outras paragens, a festa dos livros acontece a céu aberto, no meio da praça, como, aliás, deve ser. Democrática, alegre, festiva, com cheiro de povo.

Este ano, em vez de cancelar a feira (como muitas cidades tiveram que fazer por conta da falta de dinheiro), a prefeitura transferiu o evento da praça da matriz, ampla e espaçosa, para a Praça Mané Gaiola. O novo local era, na minha infância, temido por crianças como eu, pois abrigava, aqueles tempos idos, a cadeia, a delegacia, a PM e o Fórum, onde, lá pelos anos 1970, pude assistir tribunos famosos em memoráveis sessões do tribunal do juri.

A cidade cresceu. E mudou. Hoje, este é um quarteirão consagrado à cultura: funcionam ali a Biblioteca Municipal (uma das mais bonitas do interior paulista), o Centro de Memória, o Centro Cultural e, agora, uma feira de livros.

Enquanto conversava, mais cedo, com meus pequenos leitores, entre os bancos e os jardins, me vinha à lembrança a figura do Mané Gaiola, que dá nome à praça. Comerciante abastado para a cidade da época, ele fabricava, nas suas horas de folga, bonecões como aqueles de Olinda, e saía para abrir o carnaval de rua e alegrar a vida dos moradores pacatos do lugar que, àquela altura, tinha como grande ambição não ser tido como um mero subúrbio da vizinha Ribeirão.

Em dias como estes, de festa do livro a céu aberto, é justamente o contrário que se dá: é Sertãozino quem respira ares de capital da cultura do interior. Em dias assim, a cidade transforma um bordão de seus tempos áureos de capital do hóquei sobre patins em um mantra a apontar para o futuro que virá: "viver sem ter a vergonha de ser feliz..."

Boas leituras, sempre!

Um abraço

do Galeno

 

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